Segundo um estudo realizado no Reino Unido, os conselhos de influenciadores financeiros nas redes sociais são geralmente de “baixa qualidade”, apesar de serem amplamente utilizados pelos britânicos, informou o Financial Times. No entanto, aqueles que seguiram os conselhos financeiros desses influenciadores relatam, em sua grande maioria, um “resultado positivo”.
Fonte da imagem: Glenn Carstens-Peters/unsplash.com
O estudo analisou conselhos de quase 2.500 influenciadores financeiros no Instagram✴, TikTok e YouTube, e entrevistou 4.200 adultos no Reino Unido.
Quase 40% dos entrevistados relataram usar as redes sociais como fonte de aconselhamento financeiro. Esse percentual é quase tão alto quanto o de pessoas que consultam familiares e amigos, e significativamente maior do que o de pessoas que buscam aconselhamento de inteligência artificial (23%) e profissionais (9%).
No entanto, o estudo constatou que quase 90% das postagens em redes sociais contêm “características qualitativas mais negativas do que positivas”. Essas postagens expressam dúvidas sobre a competência do influenciador financeiro e a credibilidade das informações que ele publica, além de mencionar deficiências, alternativas e fornecer links para fontes.
Contudo, 31% dos entrevistados que seguiram recomendações de redes sociais avaliaram a experiência positivamente: 70% relataram resultados predominantemente positivos, 27% resultados mistos e apenas 3% resultados predominantemente negativos, embora essas conclusões se baseiem em percepções e não em resultados financeiros comprovados. Conselhos sobre orçamento e métodos para economizar dinheiro foram avaliados de forma mais positiva, mas seguir recomendações para comprar ações ou criptomoedas levou, com mais frequência, a consequências negativas.
Entre as recomendações financeiras enganosas, as criptomoedas foram as mais mencionadas, juntamente com anúncios de “enriquecimento rápido” e anúncios falsos de celebridades.
Resultados semelhantes foram obtidos por pesquisadores das Universidades de Newcastle e Birmingham.O estudo constatou que, embora o conteúdo de influenciadores financeiros britânicos no TikTok contribua para a disseminação de informações financeiras, ele se concentra fortemente em tópicos de alto risco, como criptomoedas e negociação de câmbio.
De acordo com os entrevistados, os órgãos reguladores e as empresas de mídia social devem ser responsáveis por monitorar e combater informações financeiras enganosas. Além disso, os criadores de conteúdo devem divulgar suas qualificações, experiência e quaisquer conflitos de interesse. Sugere-se também que as redes sociais incluam links para fontes oficiais em todas as publicações que contenham informações financeiras.
Algumas semanas antes da publicação dos resultados deste estudo, a Autoridade de Conduta Financeira (FCA) do Reino Unido anunciou a abertura de processos criminais contra dois influenciadores financeiros por conduzirem campanhas promocionais ilegais nas redes sociais. O órgão regulador também emitiu dezenas de alertas para empresas e indivíduos não autorizados e enviou 120 solicitações para remoção de contas em plataformas de mídia social que publicavam conteúdo ilegal de influenciadores financeiros.
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