As próprias autoridades chinesas negociarão dados pessoais de cidadãos

As autoridades chinesas pretendem intensificar o controle sobre os dados pessoais dos cidadãos e vendê-los no mercado interno. Isso provavelmente ajudará na desaceleração do desenvolvimento da economia chinesa, mas representará uma ameaça ao trabalho das empresas locais de TI nos mercados globais.

Fonte: freepik.com

Conforme observado pela Reuters, a intenção de criar um mercado para dados de usuários surgiu há vários anos. E a atividade de Pequim nos últimos meses – ações contra os gigantes Alibaba, Tencent, Didi e outros participantes do mercado de TI – pode indicar a concretização dessa intenção. Em particular, estamos falando sobre o mercado de Big Data, que inclui dados pessoais que são acumulados por organizações governamentais e comerciais. A composição desses dados pessoais inclui quase todas as informações sobre os cidadãos: de registros médicos e documentos judiciais a transações bancárias e preferências do consumidor.

Isso pode abrir uma nova direção de pleno direito na economia chinesa, não menos importante do que os recursos de trabalho, tecnologia e outros fatores. A venda de informações, de acordo com o plano do governo, vai garantir o crescimento da economia, que vem desacelerando muito nos últimos anos. Uma pedra angular na implementação do plano será a adoção provisória da Lei de Segurança de Dados em setembro deste ano. De acordo com esse regulamento legal, as organizações que processam dados críticos terão a responsabilidade de calcular os riscos e fornecer às autoridades relatórios sobre suas atividades. Se as informações processadas pela empresa puderem estar relacionadas a questões de segurança nacional na China, ela precisará se preparar para as inspeções anuais.

Conforme observado por Kendra Schaefer, da empresa de consultoria Trivium China, a China poderá não apenas controlar ativos de informação significativos, mas também torná-los uma mercadoria de pleno direito para controlar IPOs de empresas no exterior, transferências internacionais e acesso direto a certas categorias de informação.

A política planejada da China para empresas de TI é causada não apenas por considerações de segurança nacional, diz Sam Saks, um especialista em política cibernética do centro analítico New America. Em sua opinião, este é um plano muito mais pensativo, respondendo à questão do valor dos dados do ponto de vista econômico.

Em março de 2021, o Conselho de Estado da República Popular da China anunciou um plano para mudar a economia digital, que fala sobre a criação de mercados de teste para dados pessoais, bem como o fortalecimento do controle sobre as plataformas da Internet. Uma dessas plataformas de teste poderá ser lançada até o final do ano na cidade chinesa de Guangdong, esta solução complexa permitirá monitorar a dinâmica dos dados do usuário, incluindo transferências internacionais de dinheiro.

No entanto, disse Sachs, este plano pode acabar sendo arriscado, uma vez que o novo projeto de lei prevê o conceito de dados críticos em formulações um tanto vagas, e isso pode alertar clientes e investidores de empresas chinesas, que, por sua vez, farão é difícil para as empresas locais entrarem nos mercados internacionais.

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