Em abril, a colaboração internacional DESI (Dark Energy Spectroscopic Instrument) revelou o maior e mais detalhado mapa tridimensional do Universo até hoje. Ao longo de cinco anos de operação, o conjunto robótico multicanal do telescópio Mayall, no Arizona, registrou mais de 47 milhões de galáxias e quasares, além de 20 milhões de estrelas próximas. As observações abrangem a vida útil do Universo até uma profundidade de 11 bilhões de anos e têm o potencial de lançar luz sobre os mistérios da energia escura.
Fonte da imagem: DESI
Criar uma instalação para mapear a distribuição de galáxias com uma profundidade colossal foi uma verdadeira maravilha da engenharia. Os 5.000 “olhos” robóticos do telescópio, posicionados com uma precisão de 10 micrômetros — menos que a espessura de um fio de cabelo humano —, eram recalibrados a cada 20 minutos para capturar uma nova região do céu. Assim, o instrumento, quadro a quadro, capturava um instantâneo da história do universo. O modelo tridimensional resultante inclui medições de oscilações acústicas bariônicas (BAOs) — tênues vestígios dos primeiros momentos após o Big Bang — que nos permitirão calcular a taxa de expansão do universo em diferentes estágios de sua existência com ainda maior precisão.
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Como foi descoberto há cerca de 30 anos, o universo está se expandindo a uma taxa acelerada. Alguma força está empurrando as galáxias, não ligadas pela gravidade, para longe umas das outras, com força crescente quanto mais distantes elas estiverem de nós. Essa força foi denominada energia escura, e sua contribuição para a matéria do Universo foi estimada em 70% (energia é matéria, como Einstein provou).
Os dados obtidos durante o levantamento DESI, que durou cinco anos, lançaram dúvidas sobre o valor constante da energia escura em diferentes estágios da evolução do Universo. Enquanto isso, o modelo cosmológico mais autorizado para o seu desenvolvimento — o ΛCDM — sugere que a energia escura é constante ao longo da evolução do Universo. A análise dos dados do DESI fornecerá uma resposta mais clara para essa questão, o que poderá levar a uma revolução na cosmologia.
Um dos segmentos do conjunto DESI. Fonte da imagem: Wikipedia
Embora o levantamento principal de cinco anos tenha sido concluído, a equipe do DESI já iniciou os preparativos para uma nova fase de observações, que durará até 2028 e expandirá o mapa 3D do Universo criado pelo DESI em mais 20%, aumentando sua cobertura de 14.000 para 17.000 graus quadrados (o céu completo tem 41.000 graus quadrados). No futuro, os cientistas planejam estudar regiões mais próximas da Via Láctea, onde estrelas brilhantes normalmente obscurecem as observações de objetos mais tênues. Só nos resta aguardar novos artigos científicos e descobertas empolgantes. Graças ao levantamento DESI, o Universo revelou suas cartas. Agora é a vez dos cientistas contra-atacarem.
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