\nPela primeira vez na história, os astrónomos conseguiram detectar a atmosfera de um planeta rochoso localizado na zona potencialmente habitável da sua estrela. Esta descoberta pode ser um grande avanço na busca por vida extraterrestre.\n\n

\n\nFonte da imagem: Telescópio Espacial Hubble da NASA / unsplash.com\n\nO planeta, conhecido como LHS 1140-b, é cerca de 5,6 vezes maior que a Terra e orbita uma pequena estrela anã a cerca de 48 anos-luz do sistema solar. Anteriormente, os cientistas conseguiram detectar atmosferas de gases gigantes e até de planetas rochosos localizados fora da zona habitável, mas na atmosfera de LHS 1140-b conseguiram detectar a presença de hélio. Esta é a primeira evidência direta de que um mundo rochoso na zona habitável pode ter uma atmosfera, um fator crítico na avaliação do seu potencial para suportar vida.\n\nAnteriormente, os cientistas só podiam especular que alguns exoplanetas rochosos na zona habitável poderiam ter uma atmosfera. Eles confiaram em evidências indiretas, como uma diferença moderada entre as temperaturas diurnas e noturnas, que poderia ser explicada tanto pela atmosfera quanto por outros efeitos planetários. Mas estabelecer a presença de uma atmosfera através de observações diretas é difícil porque os planetas são geralmente muito pequenos em comparação com as suas estrelas.\n\nCientistas americanos decidiram tentar uma nova abordagem. Eles desenvolveram modelos teóricos de exoplanetas rochosos usando o efeito de fracionamento de massa – um processo no qual moléculas e átomos leves deixam a atmosfera e voam para o espaço, enquanto os mais pesados permanecem. Usando esses modelos, os cientistas previram um novo tipo de planeta com uma atmosfera densa perto da superfície e camadas superiores mais finas que permitem que o hélio escape para o espaço.\n\nOs pesquisadores descobriram que as emissões de hélio podem ser detectadas na Terra e que o sistema LHS 1140 é ideal.candidato para testar esta hipótese. Em 2024 e 2025, observaram os planetas LHS 1140-b e LHS 1140-c. Os resultados mostraram um forte sinal de hélio desde o primeiro em 2024, mas não pôde ser detectado em 2025. Os cientistas concluíram que a intensidade da fuga pode mudar ao longo do tempo, e sugeriram que o planeta manteve a sua atmosfera durante vários milhares de milhões de anos. A LHS 1140-c não mostrou sinais de atmosfera, o que também foi previsto com base em informações sobre a sua órbita e características.\n\nA descoberta prova que podem existir atmosferas em torno de mundos rochosos, incluindo em sistemas de estrelas anãs, que são muito mais comuns do que estrelas mais massivas como o Sol. Os cientistas não excluem que na superfície do LHS 1140-b existe uma grande quantidade de água líquida – outro componente necessário para a vida como a conhecemos na Terra. Assim, o planeta satisfaz as três condições básicas necessárias à existência de vida: tem uma superfície rochosa, uma temperatura na qual pode existir água líquida e uma atmosfera que retém água e protege o planeta da radiação. A questão da existência de vida no LHS 1140-b permanece em aberto, mas os Telescópios Hubble e James Webb (JWST) até agora não conseguiram detectar quaisquer sinais dela fora da Terra. Talvez este mundo deva ser estudado mais detalhadamente, dizem os cientistas.\n