As autoridades americanas há muito proíbem o fornecimento de software para o projeto de componentes semicondutores à China, mas a Cadence foi flagrada colaborando com uma das universidades chinesas suspeitas pelos americanos de desenvolver um programa nuclear. Por isso, terá que pagar uma multa de US$ 140 milhões. A Cadence já admitiu sua culpa.

Fonte da imagem: Cadence

Pelo menos, essa é a história contada pela Reuters. Ela envolve as negociações da Cadence com empresas chinesas de interesse da Universidade Nacional de Tecnologia de Defesa da China (NUDC), uma instituição acadêmica que, segundo autoridades americanas, está envolvida no desenvolvimento de armas nucleares usando supercomputadores para simular seus testes.

As alegações contra a Cadence tornaram-se conhecidas no dia anterior, após a empresa publicar seu relatório trimestral. A empresa afirmou estar satisfeita com os acordos firmados com os Departamentos de Comércio e Justiça dos EUA. A NUDT foi alvo de restrições de exportação em 2015. Entre 2019 e 2022, diversas organizações associadas a essa instituição foram alvo dessas restrições. Uma delas, a CSCC, recebeu software da Cadence pelo menos 56 vezes entre 2015 e 2020, conforme apurado pela investigação. De acordo com autoridades americanas, funcionários do escritório de representação chinês da Cadence estavam cientes da violação das restrições de exportação dos EUA, mas continuaram a auxiliar a organização na obtenção do software da Cadence. A empresa chinesa Phytium Technology também recebeu esse software até 2021, sem obter as licenças de exportação necessárias emitidas pelo Departamento de Comércio dos EUA.

A Cadence, que se declarou culpada, ficará sob vigilância reforçada dos reguladores americanos por três anos. Também terá que pagar uma multa de US$ 140 milhões. Vale ressaltar que, durante parte desse período, a Cadence foi liderada por Lip-Bu Tan, que assumiu a liderança da Intel este ano. A Cadence recebeu as primeiras intimações neste caso em 2021. Voltando à NUDT, esta universidade chinesa já teve participação na criação dos supercomputadores chineses mais poderosos, incluindo o Tianhe-2. As sanções americanas contra a China, por sua vez, reduziram a participação da Cadence na receita do país de 17% para 12%.

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