A experiência política de Elon Musk pode ser interpretada de várias maneiras, mas, ainda no início deste ano, ele tinha boas conexões com a Casa Branca e, por hábito, continua a usar essas conexões para resolver problemas de negócios. Um projeto de lei em elaboração na União Europeia pode colocar a SpaceX em desvantagem em relação às empresas europeias no mercado de serviços espaciais, motivo pelo qual Musk já está reclamando às autoridades americanas.

Fonte da imagem: SpaceX
Conforme noticiado pelo The Telegraph, a empresa aeroespacial SpaceX apresentou uma queixa à Comissão Federal de Comunicações (FCC) dos EUA, solicitando medidas retaliatórias contra empresas europeias que atuam no mercado aeroespacial. Musk está preocupado com um projeto de lei da União Europeia que regulamentaria o mercado regional de serviços aeroespaciais, colocando empresas estrangeiras em clara desvantagem e sobrecarregando-as com obrigações desproporcionais. Caso Musk vença a ação, as empresas aeroespaciais europeias que operam em jurisdições americanas estarão sujeitas a licenciamento rigoroso, inspeções constantes e à ameaça de multas elevadas em caso de irregularidades. A SpaceX alega que governos estrangeiros, incluindo os europeus, “estão adotando políticas regulatórias injustas e discriminatórias”.
A queixa da SpaceX à FCC faz parte da investigação da agência sobre violações das leis antitruste da União Europeia contra a indústria aeroespacial americana. O presidente da FCC, Brendan Carr, já alertou que a agência poderá impor restrições às atividades de empresas aeroespaciais europeias se o projeto de lei que regulamenta esse tipo de negócio na União Europeia for aprovado em sua forma atual. No mês passado, a FCC declarou que o projeto de lei impõe um “ônus regulatório inaceitável” às empresas americanas, introduzindo “barreiras não tarifárias” à entrada no mercado europeu.
O novo projeto de lei exige que as empresas aeroespaciais americanas obtenham licenças especiais e cumpram normas de segurança rigorosas para operar na UE.Impactos ambientais, incluindo “poluição luminosa”. Empresas que não cumprirem esses requisitos poderão perder o acesso ao mercado europeu de serviços aeroespaciais. A lei concede aos reguladores europeus o direito de inspecionar locais de lançamento estrangeiros, um poder que os EUA consideram excessivo do ponto de vista da segurança. Os infratores da nova lei europeia poderão estar sujeitos a multas baseadas no faturamento, de até dois por cento da receita anual.
A SpaceX acredita que algumas das regras estipuladas pelo projeto de lei europeu são tecnicamente inexequíveis. Além disso, a empresa americana considera discriminatórias certas medidas relacionadas a constelações de satélites com mais de 1.000 espaçonaves. Sua subsidiária Starlink estaria sujeita a essas restrições europeias. O conflito entre Musk e os legisladores europeus alertou os reguladores do Reino Unido, que expressaram sua disposição em monitorar de perto os desdobramentos nessa área. As autoridades da UE acreditam que o novo projeto de lei visa criar condições equitativas para o setor espacial, estimular a inovação e ajudar startups a se desenvolverem.