Fabricantes de chips chineses ficarão presos em processos maduros, mas não pararão de crescer

As tentativas dos EUA de isolar a China em termos de desenvolvimento de tecnologias litográficas inevitavelmente darão frutos, de modo que a lacuna entre as empresas dos dois países aumentará. No entanto, para os fabricantes chineses, o mercado doméstico está repleto de um potencial de crescimento significativo, que eles poderão realizar mesmo em processos técnicos antigos. A iniciativa japonesa de dominar processos técnicos avançados em pouco tempo pode fracassar, segundo especialistas.

Fonte da imagem: ASML

Os analistas explicam que a indústria chinesa de semicondutores deve responder à nova onda de sanções dos EUA concentrando-se em tecnologias litográficas maduras e mudando para o uso de semicondutores de terceira geração. A última etapa permitirá a criação de chips mais avançados mesmo em processos técnicos mais antigos, mas exigirá certos avanços na ciência dos materiais. Mas mesmo que um progresso significativo não seja alcançado, o mercado chinês, devido à sua enorme capacidade, fornecerá aos fabricantes de chips locais uma receita estável por muitos anos.

Mas o desejo do Japão de dominar a produção de processos técnicos avançados para alcançar os Estados Unidos e Taiwan não parece promissor. Recorde-se que recentemente se soube da criação de um consórcio tecnológico por um grupo de empresas japonesas que, com o apoio de parceiros americanos, pretende dominar a tecnologia de processo de 2 nm até 2027 e tentar lançar a produção dos chips correspondentes no país. Até US$ 500 milhões serão alocados para essas necessidades, e a construção não apenas de empreendimentos especializados, inclusive de empresas estrangeiras, mas também de centros de pesquisa será apoiada pelo Estado.

Segundo especialistas do Instituto de Pesquisa Econômica de Taiwan, citados pelo South China Morning Post, a iniciativa japonesa envolvendo a IBM como “doadora de tecnologia” é mais ostensiva e oportunista, pois para preencher a lacuna existente entre as capacidades tecnológicas dos japoneses as empresas e seus concorrentes nos EUA e em Taiwan precisarão investir pesadamente. Além disso, o progresso nessa área pode ser dificultado pela falta de consenso entre os membros da aliança – ela é muito heterogênea em sua composição.

Acrescentamos que a TSMC, ao construir sua primeira fábrica no Japão, vai se limitar a uma gama de tecnologias litográficas maduras, de 28 nm a 12 nm, sendo esta última mais procurada por um acionista minoritário, que é a Denso, que fornece componentes para o transportador da maior montadora do mundo – a Toyota Motor. A Sony e a TSMC, que controlarão a maior parte do capital da joint venture, estão interessadas em usar a tecnologia mais madura de 28nm.

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