Um cirurgião robô realizou uma “operação” no espaço pela primeira vez seguindo comandos da Terra

Pela primeira vez na história, foi testada a capacidade de cirurgiões controlarem remotamente um robô cirúrgico no espaço. Os testes foram realizados na ISS. A comunicação com a estação ocorre com ligeiros atrasos, o que confere à automação um papel especial. No futuro, os robôs cirúrgicos serão capazes de realizar operações de forma independente, sem depender de operadores humanos.

Fonte da imagem: Universidade de Nebraska-Lincoln

O complexo cirúrgico automatizado portátil spaceMIRA foi criado pela jovem empresa Virtual Incision sob contrato com a NASA. O desenvolvimento é baseado no projeto MIRA (Miniaturized In vivo Robotic Assistant – “Assistente robótico em miniatura para operações em um organismo vivo”). Este é um desenvolvimento da Universidade de Nebraska em Lincoln que se tornou uma startup. O projeto tem cerca de 20 anos. Foi inventado para realizar operações remotas em condições terrestres, mas encontrou sua continuação nos programas espaciais da NASA na forma do spaceMIRA.

Fonte da imagem: NASA

De acordo com os planos da agência espacial, um dia os sistemas robóticos se tornarão parte integrante de naves espaciais e estações para realizar de forma autônoma operações planejadas ou urgentes, sem a participação de cirurgiões ao vivo.

Há algum tempo, um protótipo do complexo cirúrgico spaceMIRA foi entregue à ISS para testes em condições de microgravidade. Também foi interessante avaliar a capacidade da automação em compensar o atraso do sinal vindo da Terra. O manipulador spaceMIRA, localizado na ISS, composto por dois membros com pinças e uma câmera para visualização do espaço operatório, foi controlado por um cirurgião da sede da Virtual Incision. O operador cortou com sucesso uma dúzia de elásticos em uma maquete que simulava o trabalho com tecido vivo.

Não há dúvida de que a cirurgia robótica acabará por encontrar aplicação também na Terra. No entanto, é de particular interesse para o espaço. Seria uma pena voar para Marte e morrer lá de apendicite banal se isso acontecer de repente. Resta-nos desejar que o desenvolvimento do projecto prossiga o mais rapidamente possível, e o bom é que já se começou a fazê-lo.

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