Categorias: Nanotecnologia

Os micróbios poderiam ser encarregados de minerar asteroides — eles têm uma predileção especial por metais preciosos.

A expansão espacial da humanidade é impensável sem a extração de minerais em colônias. Outra questão é quais recursos seriam necessários para organizar e realizar tal trabalho. A ficção científica geralmente retrata complexos robóticos, mas a natureza tem sua própria solução para esse problema. A Terra está repleta de organismos microscópicos que extraem com sucesso substâncias inorgânicas do ambiente. Eles também poderiam encontrar trabalho no espaço.

Fonte da imagem: NASA / Universidade Cornell

Cientistas envolvidos no projeto BioAsteroid realizaram um experimento que demonstrou que bactérias e fungos são capazes de extrair metais valiosos de material asteroidal em microgravidade. Isso é crucial para a sustentabilidade de assentamentos espaciais, já que transportar recursos da Terra seria muito caro e difícil. Os asteroides são ricos em água, metais e outros elementos essenciais para a construção de assentamentos e, de modo geral, para sustentar a vida além do nosso planeta. Os micróbios, que naturalmente acompanham a vida humana na Terra, oferecem uma maneira ecológica e conveniente de reciclar matérias-primas derivadas do espaço.

O experimento BioAsteroid utilizou a bactéria Sphingomonas desiccabilis e o fungo Penicillium simplicissimum, que produzem ácidos carboxílicos para lixiviar minerais. Esses organismos foram aplicados a amostras trituradas de condrito L, um simulante de material asteroidal. Os estudos foram conduzidos tanto na Terra quanto na incubadora KUBIK, na Estação Espacial Internacional. Os microrganismos foram testados individualmente e em consórcio, comparando sua eficácia com um método de lixiviação não biológico. Essa abordagem permitiu avaliar a capacidade dos microrganismos de operar em condições de microgravidade, que era o principal objetivo do experimento.

O experimento demonstrou a superioridade dos microrganismos sobre os métodos químicos na extração de elementos do grupo da platina — rutênio, paládio e platina — que possuem ampla aplicação nas indústrias, medicina e eletrônica. O fungo Penicillium simplicissimum mostrou-se particularmente eficaz em gravidade zero, enquanto a bactéria apresentou um aumento de 13,6 vezes na extração de paládio em comparação com as condições terrestres. Contudo, para alguns elementos, como o cobre, os métodos não biológicos se mostraram superiores. De modo geral, isso evidencia a necessidade do desenvolvimento de métodos combinados para a extração de recursos úteis no espaço.

No entanto, os microrganismos possuem outra propriedade valiosa: processos metabólicos que, por si só, produzem uma variedade de substâncias úteis, desde componentes para a produção de plásticos até produtos farmacêuticos. Naturalmente, tais métodos são aplicáveis ​​não apenas ao processamento de asteroides, mas também a rochas na Lua, em Marte e em outros planetas. Assim, microrganismos invisíveis poderiam se tornar a base para a expansão da presença humana no sistema solar e além, delineando um futuro um tanto diferente daquele imaginado pelos escritores de ficção científica.

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