Inteligência artificial e interface neural restauraram a fala e as funções de um paciente paralisado.

Um sistema de inteligência artificial e uma interface cérebro-computador ajudaram um paciente paralisado e não verbal com esclerose lateral amiotrófica (ELA) a recuperar a fala e a trabalhar em tempo integral.

Fonte da imagem: ucdavis.edu

O equipamento de interface neural do paciente não é novo, mas, como parte do projeto, uma equipe de cientistas da Universidade da Califórnia, Davis, desenvolveu um método exclusivo de aprendizado de máquina que ajudou a traduzir a atividade cerebral do paciente em fala coerente com 92% de precisão. Casey Harrell, o paciente, recebeu o implante de interface neural em 2023. Os pesquisadores da UC Davis fazem parte de uma ampla coalizão de universidades e do Departamento de Assuntos de Veteranos dos EUA (VA) — uma organização chamada BrainGate. Eles estão trabalhando em projetos de neurociência com o objetivo de restaurar a fala, permitir que os pacientes usem computadores e, em alguns casos, restaurar a função motora.

No caso de Harrell, os engenheiros buscaram transformar a tecnologia experimental em uma solução durável e prática, capaz de operar fora do laboratório. Em testes controlados, o sistema foi capaz de sintetizar frases com base na atividade cerebral do paciente com 99% de precisão; fora do laboratório, no uso diário, ele avaliou a precisão do sistema em 92%. Tradicionalmente, os sistemas de interface neural exigiam a presença de especialistas para operar, mas, neste caso, isso não foi necessário: um artigo científico, revisado por pares em julho de 2025, relata que, ao longo de vários anos, o dispositivo funcionou por mais de 3.800 horas — uma média de cinco horas por dia. “É uma vida repleta de atividades dinâmicas, comunicação com amigos, familiares e colegas, e me permite comunicar de uma forma mais natural do que qualquer outra tecnologia que já usei.”“Já passei por isso”, admitiu Casey Harrell.

Isso foi possível graças a uma plataforma de software desenvolvida pelos engenheiros do laboratório para controlar dispositivos de interface cérebro-computador, chamada BRAND (Interface Cérebro-Computador para Decodificação Neural Adaptativa Rápida). Algoritmos de inteligência artificial convertem a atividade no giro pré-central ventral — a região do cérebro responsável pelas funções motoras faciais, orais e da mandíbula — em fonemas do inglês. Outros algoritmos de software associam esses fonemas a palavras e as palavras a frases. A síntese de fala resultante produz dados altamente precisos, permitindo que o Sr. Harrell trabalhe em tempo integral como ambientalista.

Neste projeto, o objetivo dos cientistas é provar que os sistemas de interface neural são mais do que apenas experimentos de laboratório. Eles comparam o estado atual dessa tecnologia aos primeiros marca-passos, que surgiram na década de 1950. Naquela época, eles eram conectados a grandes baterias ou até mesmo a uma tomada. Atualmente, o paciente é conectado a computadores volumosos, mas o equipamento necessário pode se tornar mais compacto no futuro. O BrainGate está aceitando inscrições para participação em estudos futuros.

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