Cientistas “dispararam” um asteroide que passava pela Terra com ondas de rádio na tentativa de descobrir como ele funciona

Ontem, um asteróide com um diâmetro de cerca de 150 m passou pela Terra a uma distância de duas órbitas da Lua. O objeto não representava uma ameaça para nós, mas os cientistas decidiram arriscar e olhar em suas profundezas. Os resultados do experimento ainda não foram divulgados, mas se for bem-sucedido, o experimento será repetido em relação ao asteróide Apophis, mais perigoso, que passará pela Terra em 2029 a uma distância de apenas 32 mil km.

Complexo HAARP. Fonte da imagem: HAARP

Ondas de rádio mais curtas são usadas para detectar asteróides, o que dá uma ideia do tamanho de um objeto e permite calcular sua velocidade e trajetória. Mas para repelir a ameaça, é desejável conhecer a composição do asteróide. Um experimento com a sonda kamikaze DART da NASA mostrou que um impacto em um asteróide pode ser surpreendente se esse corpo espacial não for uma rocha monolítica, mas uma pilha de pedras mantidas juntas pela gravidade, como aconteceu na prática. Você pode tentar olhar para dentro do asteróide com a ajuda de ondas de rádio mais longas, que podem penetrar em profundidade e ser refletidas de suas entranhas.

O experimento de ontem foi montado com base no complexo HAARP no Alasca (High Frequency Active Auroral Research Program). A antena HAARP no momento da maior aproximação do asteróide 2010 XC15 à Terra irradiou-o com um sinal de rádio com uma frequência de cerca de 9,6 MHz em intervalos de dois segundos. O sinal refletido foi recebido pelos conjuntos de antenas de ondas longas da Universidade do Novo México e do Owens Valley Radio Observatory.

Algum tempo depois de processar os dados, poderemos saber o resultado. De qualquer forma, os cientistas estarão mais bem preparados para o encontro com o Apophis em 13 de abril de 2029. Anteriormente, acreditava-se que este asteroide de até 340 m de tamanho corria o risco de colidir com a Terra em 2068, mas o refinamento de sua trajetória tornou possível remover esse objeto do catálogo de objetos perigosos para a Terra por pelo menos 100 anos. Mas saber como funciona por dentro é valioso por si só.

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