A startup americana Pacific Fusion anunciou o teste de um protótipo em escala reduzida de um módulo de potência pulsada para uma futura usina de fusão. O dispositivo, do tamanho de um contêiner de transporte, forneceu aproximadamente 440 GW de potência de pico em 80 nanossegundos a uma voltagem de aproximadamente 1,1 megavolts. A característica mais importante do experimento foi o uso de uma matriz de capacitores para ignição do combustível em vez de lasers caros.

Fonte da imagem: Pacific Fusion
O método da empresa envolve a compressão inercial de combustível, que cria um campo eletromagnético, pressão e temperatura extremamente altos ao redor de uma minúscula pastilha de combustível. Isso leva à fusão de núcleos leves dentro do combustível e à fusão de núcleos pesados, acompanhada por uma liberação colossal de energia — relativamente limpa e fornecida por um suprimento de combustível virtualmente ilimitado.
Até o momento, o único projeto a demonstrar um rendimento energético positivo a partir da compressão inercial é o National Ignition Facility (NIF) nos Estados Unidos. Ele conta com quase 200 lasers de alta potência focados em uma minúscula pastilha de combustível. No entanto, se considerarmos toda a energia gasta para manter essa instalação em operação, a eficiência de sua reação de fusão seria de décimos ou até mesmo centésimos de um por cento. Contudo, o custo permanece extremamente alto, dificilmente permitindo a comercialização da tecnologia neste estágio de desenvolvimento.
A ideia dos desenvolvedores da Pacific Fusion baseia-se no conceito de que o combustível pode ser comprimido conectando capacitores potentes de forma síncrona. Se forem ativados sincronizadamente por 100 nanossegundos com uma diferença de no máximo 2 nanossegundos, a descarga produzirá o efeito desejado e iniciará uma reação termonuclear. Um protótipo em escala reduzida conseguiu exatamente isso, mas sem usar combustível. Segundo a fonte, o experimento foi tão bem-sucedido que a jovem empresa conseguiu atrair facilmente mais de US$ 1 bilhão em investimentos para aprimorar seu projeto.

Neste verão, a Pacific Fusion planeja iniciar a construção de uma usina demonstradora em escala real e maior, para a qual um local já foi selecionado. A usina demonstradora precisará comprovar a capacidade de disparar bancos de capacitores de forma síncrona, que, se houver combustível disponível, seriam capazes de iniciar uma reação de fusão com rendimento positivo — produzindo mais energia do que a necessária para iniciar a usina. Embora possam se passar décadas até que uma usina de fusão em escala real utilizando esse princípio seja construída, comprovar a viabilidade do princípio será dispendioso.