O Departamento de Defesa dos EUA deu à Anthropic até a noite de sexta-feira, 27 de fevereiro, para fornecer à agência acesso total ao seu modelo de inteligência artificial, ou a desenvolvedora terá que enfrentar as consequências, segundo informações da Axios.

Fonte da imagem: anthropic.com

Em uma reunião realizada ontem, o Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, disse ao CEO da Anthropic, Dario Amodei, que o Pentágono declararia a empresa uma “ameaça à cadeia de suprimentos” — uma designação normalmente reservada para adversários estrangeiros — ou invocaria a Lei de Produção de Defesa (DPA, na sigla em inglês) para forçar a empresa a adaptar seu modelo de IA às necessidades militares. A DPA concede ao presidente a autoridade para obrigar empresas a priorizar ou expandir a produção para atender às necessidades de defesa. Durante a pandemia, essa lei foi invocada para obrigar a General Motors e a 3M a produzir ventiladores e máscaras, respectivamente.

A Anthropic não quer que sua tecnologia seja usada para vigilância em massa de cidadãos americanos ou para criar armas totalmente autônomas e se recusa a fazer concessões nessas questões. O Pentágono insiste que o uso da tecnologia pelas forças armadas deve ser regido pelas leis e restrições constitucionais dos EUA, e não pelas políticas de empresas privadas. Aplicar a DPA à IA expandirá significativamente a aplicação prática dessa lei. De fato, a Anthropic não tem planos de flexibilizar as restrições ao uso de seus modelos, segundo apurou a Reuters.

Atualmente, a Anthropic é o único laboratório de IA avançada cujos produtos têm acesso a materiais confidenciais do Departamento de Defesa — não há alternativa, embora, de acordo com relatos não oficiais, o Pentágono já tenha chegado a um acordo com a xAI para usar o Grok em sistemas confidenciais. A falta de uma alternativa pode explicar a política rigorosa da agência, acreditam especialistas.

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