Jogado no PC

Call of the Sea foi uma estreia vibrante para a Out of the Blue Games. Eles combinaram surpreendentemente bem o universo de Cthulhu com uma arte rica e colorida, complementando tudo com uma atmosfera ligeiramente melancólica, mas, no geral, aconchegante. Alguns anos depois, os desenvolvedores aproveitaram o sucesso do dinâmico e satírico American Arcadia. Agora, decidiram retornar às suas raízes e continuar a história aparentemente coerente e já concluída da família Everhart.

Call of the Sea se passa na década de 1930. Nora Everhart explora uma ilha tropical em busca de uma expedição perdida liderada por seu marido, Harry. O final dessa aventura fica claro logo na sinopse da sequência, que avança algumas décadas.

Agora, pessoas vivas aparecem na tela com muito mais frequência.

O idoso Harry, agora um respeitado professor da Universidade Miskatonic, nunca se recuperou da perda da esposa. E os fantasmas do passado o assombram. Enquanto isso, a jovem estudante Evangeline Drayden sofre de amnésia temporária — um ano inteiro de sua vida desapareceu de suas memórias. Em seus sonhos, ela vê uma cidade incrível e criaturas estranhas…

No entanto, Nora continua fazendo parte da história — ela serve como narradora em Call of the Elder Gods. Dado o seu destino, essa decisão inicialmente parece estranha. A história do primeiro jogo era praticamente completa e autossuficiente, então a existência de uma sequência levanta questionamentos. Contudo, conforme o jogo avança, essas dúvidas se dissipam. Os personagens principais se encontram no centro de uma conspiração mística, cujas raízes remontam àquela expedição e a um passado ainda mais remoto. Muito mais remoto. E, por fim, fica claro por que Nora continua sua história.

Mas as revelações finais ainda estão por vir. Enquanto isso, Harry afoga suas mágoas no trabalho e suporta sessões exaustivas de psicoterapia. O doutor força o professor exausto a revisitar memórias de um passado agradável, quando ele organizava uma busca pelo presente de Natal da esposa. Mas como um artefato misterioso foi parar nessas memórias? Enquanto isso, Evangeline vê o mesmo artefato em seus sonhos, onde visita uma cidade estranha e fantástica. É essa esfera misteriosa que une os dois.

Call of the Elder Gods muda tanto a era quanto a atmosfera geral. Enquanto o primeiro jogo se passava inteiramente em uma ilha perto do Taiti, a sequência expande significativamente a geografia dos eventos. O ato inicial ocorre na luxuosa mansão Everhart, mas essa é apenas a primeira parada. Você visitará vastas cavernas com ruínas antigas, uma base militar abandonada na tundra gelada, um museu transformado em refúgio para um culto — e a lista continua. O espírito aventureiro evoca Indiana Jones, e a inclusão de ex-nazistas na história só reforça essa associação.

Mas em termos de jogabilidade, Call of the Elder Gods continua sendo uma jornada tranquila. Alternamos entre os papéis de Harry e Eva, mas não há muita diferença entre eles. A jogabilidade é dividida em vários capítulos, cada um repleto de quebra-cabeças, e entre eles, você pode simplesmente passear e admirar a bela paisagem.

A sequência apresenta quebra-cabeças mais complexos do que o primeiro jogo. Em Call of the Sea, os quebra-cabeças eram envolventes e moderadamente desafiadores, mas eram em sua maioria lineares — resolver um levava ao próximo, e assim por diante. A sequência, no entanto, enfatiza quebra-cabeças com múltiplas camadas, com desafios menores aninhados uns dentro dos outros como bonecas russas.

Enquanto você resolve o enigma da civilização antiga, eu espero aqui.

O Covil do Culto é um ótimo exemplo. Você tem vários andares de um museu para explorar, o que exige estudo cuidadoso para finalmente encontrar a combinação certa para chamar o elevador. Algumas pistas são óbvias, enquanto outras exigem a resolução de enigmas individuais. Depois, você terá que quebrar a cabeça para montar um quadro coerente a partir de todas as pistas.

Felizmente, um caderno confiável, onde os próprios heróis anotam todas as informações importantes, economiza muito tempo. Ele elimina a rotina desnecessária (você teria que pegar papel e caneta para anotar pistas dispersas) e permite que você se concentre na tarefa em questão. Encontrar a resposta certa é inteiramente sua responsabilidade. No entanto, mesmo se você ficar preso, sempre pode pedir ajuda ao jogo, diretamente no menu principal. Mas eu não recomendaria, pois você estará se privando da satisfação da vitória pessoal — afinal, é disso que se tratam as missões. Para os mais ousados ​​(ou confiantes demais), há também um modo hardcore sem bloco de notas no jogo.

Na maioria das vezes, Harry e Evangeline se revezam, mas às vezes os personagens interagem para resolver quebra-cabeças. A ideia parece interessante, mas, em primeiro lugar, ela aparece apenas algumas vezes por partida e, em segundo lugar, não adiciona muita profundidade aos próprios quebra-cabeças. Passar um item de um local para outro ou espiar o código de uma porta com um personagem para que o outro possa entrar e prosseguir — nada mais desafiador.

Quanto mais perto do final, mais fantasmagorias na tela.

Mas a dupla adiciona dinamismo à narrativa em si. Enquanto Nora viajava sozinha, apenas expressando seus pensamentos ao jogador, Harry e Evoy estão constantemente se comunicando: às vezes discutindo, às vezes brincando, às vezes simplesmente tendo conversas sinceras. Os desenvolvedores não economizaram na dublagem, contratando vozes reconhecíveis: Yuri Lowenthal (Homem-Aranha na duologia da Insomniac) e Cissy Jones (Delilah de Firewatch).

***

Felizmente, Call of the Elder Gods não se torna um elemento secundário na história já contada. A sequência se baseia nos pontos fortes de seu antecessor: oferecendo mais locais, mais eventos e quebra-cabeças mais complexos. Mas perde sua novidade, já que já conhecemos as forças místicas que espreitam no coração da história.

Prós:

Contras:

Gráficos

Os gráficos vibrantes e estilizados são agradáveis ​​aos olhos, e as frequentes mudanças de cenário mantêm o jogo interessante.

Som

A dublagem profissional dá vida aos personagens. A trilha sonora não é exatamente memorável, mas complementa com sucesso a atmosfera de aventura.

Modo para um jogador

Uma bela aventura que desafia seu intelecto, mas também é acessível para jogadores modernos.

Tempo estimado de conclusão

Cerca de seis horas, se você mantiver o bloco de notas do jogo ativo e ocasionalmente ficar preso em alguns quebra-cabeças.

Modo cooperativo

Não disponível.

Impressão geral

Uma sequência digna que se baseia nos pontos fortes do primeiro jogo, mas carece de originalidade.

Nota: 8,0/10

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