As principais fabricantes chinesas de smartphones, Xiaomi, Oppo e Vivo, informaram seus fornecedores que reduzirão novamente suas metas de fornecimento para o ano corrente — em alguns casos, em até 30%. Isso ocorre porque o aumento dos custos e a escassez sem precedentes de componentes continuam a impactar negativamente o mercado, segundo reportagem da Nikkei Asia, citando diversas fontes.

A Xiaomi já havia divulgado uma previsão moderada para o número de smartphones enviados este ano: 135 milhões de unidades, abaixo dos 170 milhões do ano passado. Em sua previsão mais recente, a empresa reduziu ainda mais suas expectativas em 30%, para 95 milhões de smartphones, citando uma grave escassez de componentes e um aumento acentuado nos preços. A terceira maior fabricante de smartphones do mundo, depois da Samsung e da Apple, também alertou diversos fornecedores de que sua previsão poderá ser revisada para baixo novamente caso a situação da cadeia de suprimentos não melhore. A Oppo e a Vivo também revisaram suas previsões para baixo, para menos de 90 milhões de unidades; a Honor informou aos fornecedores que não conseguirá manter seu ritmo de crescimento em 2026, tendo enviado 71 milhões de smartphones no ano passado.
“Uma queda de 15% nos volumes de fornecimento tornou-se a base para a maioria dos clientes chineses e, para alguns, ultrapassa 20% ou até 30% em comparação com a previsão de fornecimento para 2026 que nos foi dada no final de 2025. Estamos particularmente preocupados com a Xiaomi, já que sua marca de baixo custo foi posta à prova em meio ao aumento generalizado dos preços. A previsão foi drasticamente revisada para baixo desde março, e as restrições de fornecimento e o aumento dos preços dos smartphones estão se agravando”, disse um fornecedor. Ao mesmo tempo, a demanda por componentes de smartphones de reposição e recondicionados aumentou — os consumidores estão usando seus smartphones por mais tempo do que o esperado em meio ao aumento geral dos preços.

Fonte da imagem: Counterpoint Research
Seguindo a indústria de PCs, o setor de smartphones vem sofrendo pressão devido à escassez de chips de memória, com a Apple inclusive aumentando seus preços. Analistas da Counterpoint Research preveem uma queda de 14% no mercado de smartphones em 2026. A IDC também reportou uma queda esperada de 14%, com o segmento Android, que inclui Xiaomi, Oppo, Vivo e Honor, devendo cair 21%. A Samsung está em uma posição mais forte em relação aos seus concorrentes devido ao seu foco em produtos premium e ao acesso a chips de memória. Em meio ao boom da inteligência artificial (IA), o setor de eletrônicos móveis é forçado a competir com a Nvidia por chips de memória, deixando os fabricantes de smartphones em desvantagem na alocação da capacidade de produção. Qualcomm e MediaTek, as maiores desenvolvedoras de chips para dispositivos móveis, mudaram seu foco para data centers, com a MediaTek já alertando os clientes sobre aumentos de preços.
O Nikkei Asia enfatizou que os preços estão subindo em tudo, desde chips de memória e processadores até placas de circuito impresso e fibra de vidro. Os serviços de fabricação e embalagem de chips disponíveis também estão limitados. A escassez de chips de memória afetou principalmente os fabricantes de smartphones, que produzem sobretudo modelos de gama média e baixa.