Autoridades de Bruxelas estão propondo a eliminação gradual de equipamentos fabricados na China da infraestrutura crítica da UE. Para isso, empresas chinesas como a Huawei e a ZTE serão proibidas de participar da construção de redes de telecomunicações, usinas de energia solar e scanners de segurança, segundo o Financial Times.

As novas medidas fazem parte de uma política de segurança e tecnologia atualizada, numa tentativa de reduzir a dependência de empresas americanas e de negócios chineses de “alto risco”, que alguns políticos acreditam poderem comprometer os dados confidenciais dos europeus. Nos EUA, o uso de equipamentos da Huawei e de outras empresas em redes de telecomunicações já é proibido há muito tempo, enquanto na UE, a eliminação gradual é mais voluntária.

Uma versão preliminar da proposta de Lei de Segurança Cibernética (que ainda está sujeita a alterações) já enfatizava que soluções nacionais “fragmentadas” se mostraram ineficazes em todo o mercado europeu. O momento exato da agora obrigatória eliminação gradual das empresas chinesas dependerá de uma avaliação dos riscos associados. O custo e a disponibilidade de soluções alternativas também serão levados em consideração.

Fonte da imagem: Victoire Joncheray/unsplash.com

A implementação das recomendações anteriores na UE tem sido desigual, com alguns países ainda dependendo de fornecedores considerados de “alto risco”. Por exemplo, em 2025, a Espanha assinou um contrato de € 12 milhões com a Huawei para o fornecimento de equipamentos para armazenamento de imagens de vigilância aprovadas por autoridades judiciais locais, agências de aplicação da lei ou agências de inteligência. A Comissão Europeia iniciou investigações sobre fabricantes de trens e turbinas eólicas e, em 2024, realizou buscas nos escritórios da Nuctech, uma empresa de equipamentos de segurança.

Vale ressaltar que mais de 90% dos painéis solares instalados na UE atualmente são fabricados na China. Representantes da indústria também apontam a falta de alternativas viáveis, visto que a UE precisa reduzir simultaneamente sua dependência de fornecedores chineses e americanos. Operadoras de telecomunicações já alertaram para aumentos de preços para os clientes devido às novas proibições. O projeto de lei será analisado separadamente pelo Parlamento Europeu e pelos Estados-membros da UE. O cronograma proposto para a implementação das proibições provavelmente provocará uma reação negativa de alguns Estados-membros da UE. Além disso, a proposta pode enfrentar oposição de grupos de pressão. Por exemplo, a Huawei participa integralmente da SolarPower Europe, que representa a indústria solar europeia, graças à sua produção de inversores.

Em novembro, Pequim declarou que a tentativa da Comissão Europeia de banir as tecnologias da Huawei e da ZTE violaria os “princípios de mercado e as regras de concorrência leal”. Ministério das Relações ExterioresObservou-se que as evidências mostram que, em diversos países, a rejeição de equipamentos seguros e de alta qualidade provenientes da China não apenas impede o desenvolvimento tecnológico nesses países, como também acarreta perdas financeiras significativas.

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