Um artigo curioso foi descoberto no site de suporte da Microsoft, no qual o desenvolvedor admite que o programa de planilha “Excel considera erroneamente 1900 um ano bissexto”. Esse erro não pode ser corrigido, pois isso teria consequências críticas.

Fonte da imagem: Rubaitul Azad / unsplash.com
O erro surgiu originalmente no Lotus 1-2-3, a principal ferramenta de planilha eletrônica antes do surgimento do Microsoft Excel. Não há consenso sobre o motivo da ocorrência desse erro — talvez tenha sido não intencional, ou talvez uma tentativa de economizar memória simplificando os cálculos de datas. Na realidade, 1900 não é um ano bissexto.
O Lotus 1-2-3 era tão popular que a Microsoft, ao lançar o Excel, foi obrigada a garantir a máxima compatibilidade com ele, para que os usuários dos dois programas pudessem transferir documentos com todas as suas fórmulas entre eles. É importante ressaltar que outros anos bissextos são tratados corretamente — o problema ocorre apenas com 1900.
Os pacotes de escritório da Microsoft ganharam popularidade rapidamente e, no início da década de 1990, o Excel se tornou dominante em relação aos produtos Lotus, embora as vendas deste último só tenham cessado em 2013. Mas o legado daqueles anos permanece. A Microsoft afirma atualmente que é tecnicamente possível corrigir o erro, mas as desvantagens superam os benefícios. Se isso acontecer, quase todas as datas em planilhas do Excel existentes ficarão defasadas em um dia — corrigir essa defasagem exigirá muito tempo e esforço, especialmente em fórmulas que usam datas. Isso também quebrará a compatibilidade de datas sequenciais entre o Microsoft Excel e outros programas que trabalham com datas.
O Microsoft Excel, um programa de planilha eletrônica, continua sendo o padrão da indústria em sua categoria — sua base de usuários, segundo diversas estimativas, varia de 750 milhões a 1 bilhão de pessoas. E se a Microsoft corrigir esse erro, todo o conjunto de dados ficará comprometido.É impossível sequer imaginar quaisquer consequências além das óbvias. Em sua defesa, a empresa alega que “como a maioria dos usuários não trabalha com dados anteriores a 1º de março de 1900, esse problema é raro”.