Júri de São Francisco ordena que Google pague mais de US$ 425 milhões por violações de privacidade

Na última quarta-feira, um júri de um tribunal de São Francisco (EUA) proferiu um veredito segundo o qual o Google terá que pagar US$ 425,7 milhões em indenização em uma ação coletiva por violação dos direitos de privacidade dos usuários, escreve a Bloomberg.

Crédito da imagem: Solen Feyissa/unsplash.com

Um júri de oito membros concluiu que o Google enganou os usuários ao continuar salvando e copiando seus dados por meio de aplicativos de terceiros, violando as leis de privacidade da Califórnia, mesmo quando os usuários desativaram a configuração “Atividade na Web e de Apps” nas configurações do dispositivo.

Os autores apontaram que, desde 2016, o Google ainda conseguia obter dados de usuários de serviços como Uber Technologies, PayPal Holdings, Venmo e Meta✴Platforms, bem como do Instagram✴, que utilizam os serviços internos de análise de dados do Google. O Google continuou a coletar dados apesar de prometer aos usuários controle sobre seus dados, alega a ação judicial, movida em julho de 2020. “As promessas e declarações do Google em relação à privacidade são patentemente falsas”, afirmaram os advogados dos autores na ação. Há três ações coletivas movidas contra o Google.

Durante o julgamento, o Google argumentou que alertou claramente os usuários de que desativar a Atividade na Web e de Apps tornaria seus dados anônimos, mas ainda assim seriam rastreados para fornecer estatísticas agregadas a aplicativos de terceiros.

Em sua argumentação final, o advogado do Google, Benedict Hur, da Cooley LLP, afirmou que, assim que um usuário desativa o rastreamento, ele é apresentado a uma tela perguntando “Tem certeza?”, que informa que os usuários podem “saber mais sobre os dados que o Google continua coletando e o porquê” clicando em um link adicional.”Não houve violação, vazamento, uso indevido, compartilhamento ou venda de dados”, disse ele.Advogado.

Um júri considerou o Google responsável em duas das três ações de privacidade movidas pelos autores. Eles concluíram que o Google agiu sem má-fé, o que significa que nenhuma indenização punitiva adicional será aplicada. O Juiz Distrital dos EUA, Richard Seeborg, emitiu o veredito na ação coletiva em nome de 98 milhões de usuários do Google prejudicados pelas ações da empresa. Se divididas igualmente entre os membros da classe, as indenizações totalizariam cerca de US$ 4 por membro. Os autores haviam inicialmente pedido US$ 31 bilhões em indenização.

O Google afirmou que recorreria da decisão. “Esta decisão interpreta erroneamente o funcionamento de nossos produtos”, disse o porta-voz José Castaneda. “Nossas ferramentas de privacidade dão às pessoas controle sobre seus dados e, quando elas desativam a personalização, respeitamos essa escolha.”

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