O Japão adotou alterações à lei que obrigam as redes sociais a remover rapidamente publicações que difamem a honra e a dignidade, bem como a publicar regras de moderação de conteúdo. A lei foi revisada após a morte de um famoso atleta japonês que foi submetido a cyberbullying.
Fonte da imagem: Austin Distel/Unsplash
O parlamento do Japão aprovou na sexta-feira uma importante alteração à lei que visa combater de forma mais eficaz a propagação de conteúdo difamatório nas redes sociais. A nova lei obriga as principais plataformas da Internet, como Facebook✴, Twitter, Instagram✴ e outras, a tomar medidas específicas para remover urgentemente publicações que contenham falsas acusações e difamação.
De acordo com as alterações, as redes sociais terão que nomear representantes especiais para considerar os pedidos de remoção de postagens ofensivas, e também divulgar claramente suas regras internas e critérios pelos quais são tomadas as decisões de remoção de determinados conteúdos. Isto deverá tornar a política de moderação mais transparente para os utilizadores.
Além disso, as empresas de Internet serão obrigadas a notificar os usuários dentro de um determinado prazo (de várias horas a vários dias) sobre as decisões relativas à remoção de suas postagens. Isso permitirá que os autores do conteúdo entendam os motivos do bloqueio e, se necessário, possam recorrer deles.
As alterações à lei entrarão em vigor um ano após a adoção e destinam-se a proteger os cidadãos japoneses de discursos excessivamente negativos e calúnias na Internet. A necessidade de uma regulamentação mais rigorosa surgiu após o incidente de suicídio da jovem atleta Hana Kimura.
Hana Kimura, 22 anos, lutadora profissional e participante do popular reality show Terrace House, cometeu suicídio em 2020. O motivo foi uma enxurrada de comentários ofensivos e mensagens ameaçadoras que a menina recebeu nas redes sociais após a exibição do próximo episódio do programa.
Esta tragédia causou protestos públicos generalizados na sociedade japonesa e forçou os legisladores a combater mais ativamente o cyberbullying. Muitas vítimas de bullying online queixam-se de que não conseguem remover rapidamente publicações ofensivas nas redes sociais e são forçadas a suportar a propagação de mentiras e rumores sobre si mesmas na Internet.
A nova lei deverá corrigir esta situação, garantindo tempos de resposta mais rápidos das plataformas da Internet às reclamações dos utilizadores e fornecendo às vítimas mais informações sobre as decisões tomadas. As emendas foram aprovadas pelas duas casas da Dieta Japonesa (Câmara dos Representantes e Câmara dos Vereadores).
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