Físicos da Universidade do Texas em Austin observaram experimentalmente, pela primeira vez, uma sequência completa de fases magnéticas exóticas em um material magnético atomicamente fino (monocamada). O experimento criou ilhas de magnetização estáveis com dimensões de alguns nanômetros, o que promete abrir caminho para dispositivos de armazenamento com capacidade muito maior do que, por exemplo, discos rígidos.
Fonte da imagem: Universidade do Texas em Austin
A teoria sugere que, durante o resfriamento, um material bidimensional com espessura atômica passa sequencialmente por duas fases. Cada fase foi observada individualmente por cientistas, mas ninguém ainda conseguiu reproduzir o ciclo completo.
Por exemplo, quando o material é resfriado a temperaturas entre -150 e -130 °C, surge a fase de Berezinskii-Kosterlitz-Thouless (BKT), na qual os momentos magnéticos dos átomos formam estruturas de vórtices estáveis — pares de vórtices acoplados, girando em direções opostas e confinados ao volume do material bidimensional. O diâmetro de cada vórtice não excede alguns nanômetros.
Com o resfriamento adicional, o material transita para uma segunda fase magnética distinta, chamada fase de relógio de seis estados ordenado, na qual os momentos magnéticos adotam uma das seis orientações possíveis no plano, sujeitas à simetria. Em certo sentido, isso é semelhante aos números em um mostrador de relógio, de onde essa fase tira seu nome. Esses estados são estáveis e de longa duração, criando a base para o uso dessa tecnologia na gravação de informações.
O efeito foi obtido em um cristal de trissulfeto de níquel-fósforo (NiPS₃). Foi confirmado tanto teoricamente quanto por observação usando micropolarimetria óptica não linear.
A descoberta confirma modelos fundamentais do magnetismo bidimensional e da física topológica, incluindo as contribuições do físico soviético Vadim Berezinskii, cujas ideias formaram a base da transição BKT (pelo desenvolvimento dessa teoria, Kosterlitz e Thouless receberam o Prêmio Nobel de Física de 2016).
A importância do trabalho reside na demonstração de transições excepcionalmente estáveis.Vórtices magnéticos em nanoescala em um sistema puramente bidimensional abrem novos caminhos para o controle do magnetismo em nível atômico. No futuro, os cientistas planejam encontrar materiais nos quais essas fases se estabilizem em temperaturas mais altas (próximas à temperatura ambiente), o que poderá levar à criação de nanodispositivos magnéticos ultracompactos, avanços na espintrônica e outras tecnologias.
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