Como é sabido, o rover Perseverance da NASA está explorando o delta de um antigo rio que outrora desaguava em um lago no local da Cratera Jezero. Um dos instrumentos do rover é o radar de penetração no solo, que penetra 35 metros abaixo da superfície do Planeta Vermelho. Quando os cientistas reuniram os dados do radar de penetração no solo, fragmentos dos quais o Perseverance vinha coletando há meses, ficaram surpresos: muito abaixo, havia outro delta de rio, eclipsando quaisquer vestígios na superfície.

(Fonte da imagem: NASA/JPL/ETH Zurich)
Em seu estudo de rochas sedimentares, o rover utilizou o Radar Imager for Mars Subsurface Experiment (RIMFAX). Com ele, o Perseverance coletou dados a profundidades de até 35 metros durante 78 passagens, percorrendo um total de 6,1 quilômetros. O trabalho durou de setembro de 2023 a fevereiro de 2024, mas somente após sua conclusão os cientistas compreenderam o que haviam encontrado.
Revelou-se um antigo delta de rio, localizado nas profundezas da superfície marciana. Levando em consideração as variações de altitude durante a passagem do rover, estima-se que as rochas sedimentares do antigo delta tenham até 90 metros de espessura. O mapa de radar revela claramente estruturas características daquelas formadas por água corrente, que variam de sedimentos a inclusões de pedregulhos carregados por uma forte correnteza.
O que foi detectado em órbita e o que o Perseverance se propôs a estudar em Marte acabou sendo vestígios de fluxos de água mais recentes. As novas estruturas mais profundas indicam uma longa história do delta do rio nesta área do planeta, o que significa uma maior probabilidade do surgimento de vida microbiana em Marte — a água esteve presente ali por mais tempo e em maior quantidade do que os cientistas pensavam anteriormente. Além disso, as camadas profundas estão bem protegidas da radiação e poderiam preservar a antiga história biológica do Planeta Vermelho, caso ela tenha existido.