O Grande Colisor de Hádrons ficou desligado por quatro anos para a maior modernização de sua história.

A Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN) anunciou a paralisação do Grande Colisor de Hádrons (LHC) por quatro longos anos. Em 2030, o LHC passará por sua terceira e maior modernização da história. A magnitude das mudanças se reflete até mesmo no fato de que o colisor modernizado receberá um novo nome: LHC de Alta Luminosidade. Isso permitirá a coleta de mais dados sobre colisões e ampliará nossa compreensão da verdadeira estrutura do nosso universo.

Fonte da imagem: CERN

Em 29 de junho de 2026, após sua última operação de física, o LHC foi desligado e colocado no modo Longa Parada 3 — uma pausa técnica prolongada para manutenção, atualizações e preparação para operação em uma configuração de luminosidade mais alta. Esta será a maior transformação do complexo de aceleradores desde a construção do LHC: o colisor, as seções do acelerador e os principais detectores e instrumentos para a realização de experimentos terão que ser parcial ou mesmo completamente desmontados e reconstruídos para o novo modo, dramaticamente mais luminoso.

Ao longo de 15 anos de operação científica, o LHC tornou-se uma das instalações científicas mais produtivas em física de altas energias. Os primeiros feixes passaram pelo anel em setembro de 2008, as primeiras colisões de prótons foram alcançadas em 2009 e, em 4 de julho de 2012, as colaborações ATLAS e CMS anunciaram a descoberta do bóson de Higgs — a partícula cujo campo magnético é considerado responsável pela massa da matéria em nosso Universo.

Segundo o CERN, ao longo dos três períodos de operação já concluídos, a instalação, somente para o ATLAS e o CMS, gerou aproximadamente 54 milhões de bilhões de colisões de prótons, bem como cerca de 300 bilhões de colisões de íons pesados. Os resultados do LHC já serviram de base para aproximadamente 4.500 publicações científicas revisadas por pares e incluem a descoberta de mais de 85 hádrons.

A maior atualização do LHC envolverá o desmantelamento e a substituição de aproximadamente 1,2 quilômetros de ímãs e outros componentes no anel de 27 quilômetros do colisor. Essas áreas receberão novos equipamentos, incluindo elementos de infraestrutura criogênica, novos sistemas de focalização de feixe e componentes de aprimoramento de luminosidade — sensores e seus componentes. Novos túneis e novas instalações também serão comissionados.Experimentos — a longa paralisação do colisor proporcionará tempo suficiente para isso.

Após a atualização, espera-se que o LHC de alta luminosidade retome suas operações científicas em 2030 com uma luminosidade aproximadamente 10 vezes maior que o nível de projeto original. Isso significa que o número de colisões, e consequentemente a quantidade de dados brutos, aumentará dez vezes.

Vale lembrar que, ao longo de 15 anos de observações, o LHC coletou um exabyte (1 milhão de terabytes) de dados experimentais. Após a atualização e a entrada em operação da instalação modernizada em meados da década de 2030, essa quantidade de dados aumentará em uma ordem de magnitude. Além da atual escassez de armazenamento, isso promete esclarecer as propriedades do bóson de Higgs (o principal objetivo do projeto LHC) e revelar muito sobre a estrutura fundamental do Universo.

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