Imagem de calibração do telescópio espacial Herschel revela o lado negro do universo

Uma equipe de cientistas britânicos criou a imagem mais profunda do Universo na faixa do infravermelho distante combinando 141 imagens separadas em cada um dos três canais de cores: azul, verde e vermelho. Isso permitiu a descoberta de uma nova classe de galáxias fracas, até então invisível. Se essas galáxias “ocultas” estiverem espalhadas, isso poderia explicar uma série de mistérios do Universo atualmente não resolvidos.

A parte escura do céu revelou-se cheia de galáxias. Fonte da imagem: Chris Pearson

Todas as informações foram retiradas do arquivo do observatório espacial Herschel, que a Agência Espacial Europeia operou de 2009 a 2013. A imagem profunda do Universo foi criada com base em imagens de calibração da câmera SPIRE do observatório. Cerca de uma vez por mês, a câmera era apontada para o mesmo pedaço do céu, que se pensava estar quase vazio, para testar sua sensibilidade. Como resultado, ao longo de quatro anos de operação do observatório, 141 imagens foram tiradas nos canais azul (250 µm), verde (350 µm) e vermelho (500 µm). É impossível repetir o experimento, então as principais descobertas ainda podem estar por vir.

A imagem combinada revela 2.000 galáxias distantes e grupos de galáxias nunca antes vistos neste local. Eles estavam dispostos em um tapete praticamente contínuo, fundindo-se com o fundo no caso dos objetos mais escuros. A descoberta de tantas galáxias dessa nova classe de galáxias fracas é a chave para uma compreensão mais clara da evolução das estrelas, galáxias e do Universo. Por exemplo, hoje os astrônomos não conseguem explicar o excesso de luz infravermelha no Universo: é registrada muito mais energia do que objetos luminosos observados. A presença de galáxias profundamente escondidas pode explicar esse mistério.

Para criar uma imagem mais completa do universo, novas observações são obviamente necessárias, e em particular uma nova geração de telescópios espaciais para a faixa do infravermelho distante. Um desses projetos está sendo considerado pela NASA: o observatório PRIMA, que custa cerca de US$ 1 bilhão e tem um diâmetro de espelho de 1,8 m. Entretanto, o projeto ainda não foi aprovado e pode dar lugar a outro programa ou instrumento mais popular.

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