Um grupo de físicos da Universidade de Princeton conduziu um experimento no qual investigou se a rotação da Terra poderia ser usada para gerar eletricidade. Embora a voltagem medida tenha sido extremamente baixa, o conceito em si atraiu o interesse de especialistas, pois representa uma rara tentativa de aproveitar diretamente a energia cinética do planeta. Ainda não se sabe se ela continuará sendo uma base promissora para obtenção de energia renovável.
Fonte da imagem: journals.aps.org
Em março de 2025, uma equipe de físicos liderada por Christopher Chyba apresentou os resultados de um experimento no qual tentaram aproveitar a rotação da Terra para gerar eletricidade. Essa direção, apesar de sua aparente simplicidade, começou a ser estudada seriamente na física apenas na última década. “A ideia é um pouco contraintuitiva e vem sendo debatida desde Faraday”, disse Paul Thomas, físico da Universidade de Wisconsin-Eau Claire que não esteve envolvido no estudo.
Os pesquisadores orientaram um dispositivo especial, composto por um condutor fraco de ferrite de manganês-zinco com eletrodos nas extremidades, em um ângulo de 57 graus, perpendicular ao movimento rotacional da Terra e seu campo magnético. Essa configuração, segundo os cálculos da equipe, poderia criar condições nas quais o movimento do dispositivo em relação ao campo magnético levaria à geração de um potencial elétrico.
Experimento de coleta de energia. O cilindro é colocado em um ângulo perpendicular ao campo magnético da Terra e à direção de sua rotação. Os sensores registram a voltagem entre as extremidades do cilindro. As medições são realizadas no escuro para eliminar a influência do efeito fotoelétrico.
Durante o experimento, o dispositivo gerou uma voltagem de 17,84 microvolts, o que é apenas uma pequena fração da voltagem produzida por um único neurônio. Apesar disso, o resultado obtido foi descrito como “controverso, mas intrigante”. Vale a pena considerar que uma voltagem tão pequena é extremamente difícil de isolar de outras influências físicas. O físico aposentado Rinke Wijngaarden, que conduziu um experimento semelhante em 2018 e não observou o efeito, disse que continua convencido de que a teoria de Chiba e outros está errada.
Teoricamente, o dispositivo poderia funcionar se o gerador se movesse através do campo magnético da Terra, partes do qual permanecessem estacionárias, fazendo com que uma corrente fluísse. No entanto, como observa a revista Nature, isso pode resultar na redistribuição dos elétrons, criando uma força contrária que cancela o efeito. Segundo Chaiba e sua equipe, eles conseguiram eliminar esse efeito criando um material especial que não é propenso a essa redistribuição, pois mantém uma força eletrostática constante dentro do dispositivo.
Uma equipe de físicos planeja ampliar o experimento para gerar quantidades de energia praticamente úteis. De acordo com seus cálculos, se o sistema puder ser levado a uma escala tal que possa atender às necessidades energéticas de todo o planeta, a rotação da Terra diminuirá em apenas 7 milissegundos a cada 100 anos — o que é comparável ao quanto a gravidade da Lua desacelera a rotação do planeta no mesmo período. Resumindo, ainda há muita pesquisa a ser feita antes que os cientistas possam finalmente dizer que podem usar a energia da rotação da Terra para gerar eletricidade.
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