Cientistas chineses conseguiram, pela primeira vez na história, alimentar diversos alvos aéreos com um feixe de micro-ondas.

A China, assim como outros países, está explorando a possibilidade de coletar energia solar em órbita terrestre para transmissão a consumidores em solo. Essa solução tornou-se cada vez mais relevante devido ao interesse em data centers orbitais e ao lançamento de satélites com cargas úteis mais potentes para o espaço. Nesses cenários, a energia solar coletada em órbita poderia alimentar tanto satélites individuais quanto estações de servidores. Chegou a hora de começar os testes.

Instalação de teste de transmissão de energia sem fio na China. Fonte da imagem: Xinhua

Uma equipe de cientistas da Universidade Xidian, em Xi’an, trabalhando em um projeto para transmitir energia do espaço, tornou-se a primeira no mundo a transmitir energia simultaneamente por meio de um feixe de micro-ondas para múltiplos alvos móveis. A universidade construiu uma torre especial de 75 metros de altura para experimentos de transmissão de energia sem fio em 2022. Antes de lançar a nova tecnologia ao espaço, os cientistas testaram seus componentes na Terra, em altitudes relativamente baixas. No futuro, essas plataformas também serão testadas em balões e aeronaves, ganhando altitude gradualmente e aprimorando a precisão do direcionamento.

Durante o experimento, o sistema transmitiu 1.180 W a uma distância de aproximadamente 100 m, mantendo o feixe de micro-ondas em um receptor remoto com uma precisão específica. A eficiência geral da transmissão foi de 20,8%. O modo de alimentação do drone foi testado separadamente: o drone voou a 30 km/h e recebeu 143 watts de energia estável a aproximadamente 30 metros de distância. Ninguém no mundo havia demonstrado algo semelhante anteriormente. Todos os experimentos semelhantes nos EUA, por exemplo, foram conduzidos em laboratório, em um local de testes sob condições estacionárias em solo, ou a partir do ar ou do espaço, mas com um feixe altamente desfocado no limite de sensibilidade do receptor.

A fonte acrescenta que o grupo universitário modificou o conceito da estação orbital solar. Anteriormente, a versão OMEGA previa a estação espacial como um sistema geoestacionário único com um coletor solar, um conjunto fotovoltaico, uma unidade de controle e distribuição de energia eEmbora a antena transmissora de micro-ondas seja o conceito inicial, a nova versão envolve uma plataforma distribuída com conjuntos de antenas. Também é provável que seja dada prioridade a um sistema de fornecimento de energia sem fio para espaçonaves — algo semelhante a estações de reabastecimento sem fio em órbita. No mínimo, isso seria relativamente seguro para as pessoas na Terra e para a infraestrutura na superfície do planeta caso algo desse errado.

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