A Nebulosa do Anel guarda uma surpresa que espera ser descoberta há 250 anos.

Uma equipe de astrônomos europeus fez uma descoberta inesperada enquanto estudava a Nebulosa do Anel (Messier 57), descoberta há mais de 250 anos. Uma estreita faixa de ferro foi detectada dentro da nebulosa, estendendo-se por aproximadamente 20.000 UA — cerca de 0,3 anos-luz. Atualmente, não há praticamente nenhuma maneira de explicar esse fenômeno anômalo, o que exigirá inúmeras novas observações dessa nebulosa e de outros objetos semelhantes.

Fonte da imagem: Roger Wesson/MNRAS

A Nebulosa do Anel, assim como outros objetos do seu tipo, foi formada pela ejeção das camadas externas de uma estrela moribunda semelhante ao nosso Sol. Embora seja considerada um dos objetos mais estudados, novas observações revelaram uma estrutura até então desconhecida em seu interior. Especificamente, os astrônomos descobriram uma “faixa” alongada e incomum dentro da nebulosa, composta de gás contendo ferro tetra-ionizado (átomos de ferro desprovidos de quatro elétrons).

Essa faixa é enorme — seu comprimento excede 500 vezes a distância entre Plutão e o Sol, e a quantidade total de ferro em seu interior é aproximadamente equivalente à massa de Marte. Essa distribuição do elemento pesado foi inesperada, visto que o ferro é tipicamente associado à poeira e se encontra disperso de forma mais uniforme ou concentrado próximo às regiões centrais das nebulosas.

Decomposição em espectros individuais (elementos)

A descoberta foi possível graças ao espectrógrafo WEAVE, instalado no Telescópio William Herschel, nas Ilhas Canárias (pertencentes à Espanha). Este instrumento registra simultaneamente espectros de milhares de pontos em um objeto em uma ampla gama de comprimentos de onda, fornecendo uma imagem detalhada da composição química e das condições físicas do gás. Foram essas observações que possibilitaram a identificação da emissão fraca, porém extensa, de ferro ionizado.

A origem da “faixa” de ferro permanece um mistério. Os cientistas especulam que ela possa estar relacionada a uma ejeção assimétrica de matéria nos estágios finais da evolução da estrela ou mesmo à destruição de um planeta que existia no sistema antes da formação da nebulosa. Usando o novo instrumento, os pesquisadores planejam estudar outras nebulosas também, pois acreditam que o fenômeno descoberto não seja exclusivo do universo. Ou será que é? Afinal, a humanidade também é em grande parte única. O que poderia ter “espalhado” de forma tão precisa uma quantidade tão grande de ferro por todo o sistema? É um mistério!

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