‘Impossível trabalhar’: fabricantes de periféricos se recusam a exportar para os EUA

Empresas de tecnologia e pequenas empresas americanas estão se recusando em massa a enviar produtos para os Estados Unidos devido às tarifas imprevisíveis impostas pelo governo Donald Trump. Os impostos sobre produtos chineses chegam a 145%, tornando as vendas não lucrativas. Os pequenos produtores foram os primeiros a serem atingidos, mas mesmo as grandes marcas são forçadas a aumentar os preços ou a deixar o mercado temporariamente.

Fonte da imagem: JC Gellidon/Unsplash

Um exemplo citado pela PCWorld é a empresa californiana Keyboardio, que produz teclados ergonômicos em um case de madeira que muitas pessoas adoram. Embora o case possa ser feito de materiais americanos, componentes essenciais, como placas de circuito, são originários da China. Devido a novos impostos e à abolição de benefícios para pequenas quantidades de mercadorias, as vendas desses teclados nos EUA se tornaram não lucrativas. Em uma postagem de blog, os fundadores da Keyboardio disseram que estavam “suspendendo todas as remessas para os EUA até que pudéssemos garantir uma entrega rápida e confiável”.

A Keyboardio não é a única empresa que enfrenta esse problema. A fabricante de consoles retrô Anbernic também anunciou que interromperia temporariamente o envio de pedidos da China para os EUA. Ao mesmo tempo, os produtos restantes nos armazéns americanos acabarão em breve, e não há previsão de novas entregas.

Grandes empresas como Razer e Logitech também estão sentindo os efeitos da guerra comercial. A Razer removeu temporariamente seus laptops gamer do site, enquanto a Logitech aumentou os preços de mouses e teclados em 25%. A empresa de logística Hapag Lloyd disse que 30% dos seus clientes cancelaram remessas da China para os EUA. Ao mesmo tempo, o Fundo Monetário Internacional alerta que tais medidas terão um impacto negativo na economia global.

Além disso, a Hyte, fabricante americana líder de componentes e periféricos avançados para PCs gamer, interrompeu completamente as entregas para os Estados Unidos, explicando que transferir a produção para o país natal da marca não a salvará de perdas. Cooler Master, Corsair e outras marcas estão enfrentando problemas semelhantes. “Se a carga sai da China com uma taxa de 20% e chega com uma taxa de 150%, isso pode destruir os negócios e levar a demissões”, comentam as empresas sobre a situação.

Vale lembrar que inicialmente os impostos sobre produtos chineses eram de 145%, mas, sob pressão da indústria, o governo Trump os reduziu para 20% para computadores, smartphones e componentes. No entanto, não está claro quanto tempo esse relaxamento durará. Especialistas chamam a política de Washington de “caótica” e preveem novos aumentos nos preços dos eletrônicos.

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