Eles queriam forçar o Google, a Neflix e outros gigantes de TI a pagar pelo desenvolvimento de redes de comunicação na Europa

As maiores empresas de telecomunicações da Europa apelaram à União Europeia para que exija que as grandes empresas tecnológicas, como a Netflix e a Google, contribuam de forma justa para o desenvolvimento das suas redes. O apelo foi feito numa carta aberta dos dirigentes de 20 empresas, incluindo BT, Deutsche Telekom e Telefónica, que será enviada à Comissão Europeia e aos membros do Parlamento Europeu. A iniciativa visa apoiar investimentos na implantação de redes 5G e na transição para redes ópticas completas.

Fonte da imagem: Ralphs_Fotos / Pixabay

Os gigantes tecnológicos são os que mais beneficiam da infra-estrutura de telecomunicações da Europa e impulsionam o crescimento do tráfego da Internet, pelo que deveriam financiar o seu apoio e desenvolvimento de forma mais agressiva, segundo executivos das telecomunicações. Dizem também que o investimento futuro em infra-estruturas de telecomunicações está sob pressão e realçam a necessidade de regulamentação para garantir este investimento.

Os signatários são Timotheus Höttges da Deutsche Telekom, Christel Heydemann da Orange, José María Álvarez-Pallete da Telefónica e Pietro Labriola da Telecom Italia. Propuseram um mecanismo que cobraria apenas os maiores geradores de tráfego da Internet, com ênfase na responsabilização e transparência nas taxas para garantir que os operadores investissem diretamente na infraestrutura digital da UE.

A iniciativa “fair share” já ganhou apoio em Bruxelas, e o Parlamento Europeu manifestou em Junho a sua intenção de criar um ambiente em que os grandes geradores de tráfego contribuam de forma justa para o financiamento das redes de telecomunicações sem comprometer a neutralidade da rede. A Comissão Europeia afirma que poderão ser necessários 200 mil milhões de euros adicionais para implantar redes 5G em todas as áreas povoadas e fornecer cobertura total de gigabits em toda a UE até 2030.

Segundo os responsáveis ​​das empresas europeias de telecomunicações, o volume de dados aumenta anualmente numa média de 20-30%, o que se deve principalmente à actividade de apenas algumas grandes empresas tecnológicas. Contudo, na sua opinião, é pouco provável que esse crescimento conduza a um retorno correspondente do investimento nas condições actuais. Os gigantes da tecnologia já se manifestaram contra a iniciativa de “partilha justa”, argumentando que já estão a investir em infraestruturas de Internet, incluindo cabos submarinos e centros de dados.

A iniciativa europeia das telecomunicações sublinha a importância de partilhar a responsabilidade pelo investimento em infra-estruturas entre todos os principais intervenientes na economia digital. Destaca também potenciais tensões entre as empresas de telecomunicações tradicionais e as grandes empresas de tecnologia, que poderão ter implicações a longo prazo para a competitividade da UE no espaço digital global.

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