Autoridades indianas querem banir smartphones chineses abaixo de US$ 150 devido a ‘concorrência desleal’

Segundo a Bloomberg, citando “pessoas familiarizadas com o assunto”, a Índia pretende limitar a venda de smartphones de marcas chinesas que custam menos de 12 mil rúpias indianas (cerca de US$ 150). Espera-se que isso ajude as empresas locais e tire os fabricantes chineses do segmento “orçamentário” do segundo maior mercado de smartphones do mundo.

Fonte da imagem: Naveed Ahmed/unsplash.com

Segundo as fontes da publicação, os planos das autoridades indianas vão ao encontro da preocupação de que a presença de marcas chinesas como Realme e Transsion esteja a afetar os negócios dos fabricantes locais. Medidas restritivas podem prejudicar empresas como a Xiaomi, que contam com o mercado indiano para crescer ainda mais, já que o mercado de smartphones encolhe na própria China, inclusive devido a surtos de COVID-19.

De acordo com a Counterpoint, smartphones abaixo de US$ 150 representaram um terço de todas as vendas do segundo trimestre na Índia, com 80% vindo de produtos de marca chinesa. Resta saber se as autoridades anunciarão oficialmente a nova política ou usarão pressão informal sobre as marcas chinesas.

De acordo com os cálculos da Bloomberg, em caso de proibição, o total de remessas de smartphones Xiaomi pode cair de 11 a 14% ao ano (de 20 a 25 milhões de cópias). Na verdade, a empresa detém 25% do segmento de orçamento na Índia – este é o mercado mais importante para o fornecedor e, segundo a IDC, 66% dos smartphones Xiaomi custam menos de US$ 150 aqui.

As autoridades indianas já estão pressionando os fabricantes chineses, iniciando várias investigações sobre as atividades da Xiaomi, Oppo, Vivo e outros players do mercado. Em particular, os equipamentos de telecomunicações da Huawei e da ZTE já estão de fato proibidos, e a Honor anunciou a retirada real da Índia “por razões óbvias”.

Ao mesmo tempo, medidas restritivas provavelmente não afetarão players como Apple e Samsung, já que a hostilidade das autoridades indianas aos produtos chineses também tem raízes geopolíticas. A situação piorou no verão de 2020, quando vários soldados indianos foram mortos em um confronto na fronteira sino-indiana. A Índia já baniu mais de 300 aplicativos chineses populares, incluindo WeChat e TikTok, e as relações entre os países continuam tensas, para dizer o mínimo.

Antes da chegada de empresas chinesas à Índia com modelos de smartphones baratos e ricos em recursos, os fabricantes indianos Lava e MicroMax tinham uma participação de quase 50% em seu mercado doméstico. No entanto, a crescente popularidade dos “chineses”, segundo as autoridades locais, “não se baseia na concorrência livre e justa”. Esse argumento não é infundado, pois as divisões indianas de empresas chinesas, apesar das altas vendas, relatam regularmente perdas.

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