Como observam os analistas, no primeiro trimestre deste ano, a China enfrentou um paradoxo: apesar de sua colossal produção de energia solar e eólica, para escapar da “crise energética de Ormuz”, o país aumentou sua geração de energia a carvão. O gargalo não eram as linhas de transmissão, mas a incapacidade de equilibrar a oferta com fontes de energia renováveis. A China continua dependendo de usinas termelétricas a carvão para esse fim e não consegue abandonar essa prática.
Fonte da imagem: Xinhua
De acordo com especialistas da CREA, as emissões de CO2 dos setores de energia e indústria da China aumentaram 2% no primeiro trimestre de 2026, embora o país tenha registrado sua primeira queda anual nas emissões em 2025. Em vez de atender ao crescimento da demanda com novas fontes de energia renováveis, a rede elétrica chinesa voltou a depender de carvão e gás.
O principal motivo não é tanto a escassez física de capacidade da rede, mas sim a gestão inflexível da mesma. Além disso, as usinas termelétricas a carvão e gás geralmente operam sob contratos de longo prazo e, portanto, não têm incentivo econômico para reduzir a produção em períodos nos quais a energia solar e eólica são mais baratas. O fluxo de energia para regiões vizinhas também está amplamente atrelado a contratos anuais, de modo que o excesso de energia limpa nem sempre pode ser transferido rapidamente para onde é necessário.
A escala das perdas se mostrou muito grande. No início de 2026, a taxa de redução obrigatória da geração de energia renovável atingiu 9,2% para usinas solares e 8,5% para energia eólica. Segundo cálculos da CREA, sem essas restrições, a nova capacidade eólica e solar poderia ter gerado 170 TWh adicionais de eletricidade somente no primeiro trimestre — mais do que suficiente para suprir o aumento da demanda. No entanto, o aumento real na geração líquida foi de apenas cerca de 60 TWh, enquanto a geração de energia eólica praticamente não cresceu.
Na verdade, nesse período, a China perdeu e continuará perdendo eletricidade equivalente às necessidades trimestrais da França, aumentando, assim, sua dependência de combustíveis fósseis.Em meio à crise energética global e aos riscos associados à situação no Estreito de Ormuz, analistas acreditam que é hora de o país reconsiderar sua abordagem em relação às fontes de energia renováveis, implementando reformas adequadas, garantindo maior flexibilidade no despacho e nos fluxos de energia e reduzindo o uso de geração de base a carvão.
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