Gigantes da tecnologia dissuadiram Trump de assinar, no último minuto, uma ordem executiva que exigia auditorias de IA.

Uma série de telefonemas de 11 horas com executivos de grandes empresas de tecnologia ajudou a persuadir o presidente dos EUA, Donald Trump, a não assinar uma ordem executiva sobre inteligência artificial na última quinta-feira, 21 de maio, segundo o Washington Post.

Fonte da imagem: Biblioteca do Congresso / unsplash.com

O ex-czar da IA ​​e das criptomoedas, David Sacks, o CEO da SpaceX e da Tesla, Elon Musk, e o fundador da Meta, Mark Zuckerberg, conversaram com o chefe de Estado. Eles alertaram Trump de que o novo sistema de revisão administrativa de sistemas de IA poderia prejudicar o desenvolvimento da tecnologia que sustenta a economia dos EUA. A Casa Branca já havia enviado convites a líderes do setor de tecnologia para uma cerimônia de assinatura na tarde de quinta-feira. Horas antes do evento, Trump disse a repórteres no Salão Oval que o havia cancelado porque “não gostou” da minuta da ordem executiva. “Na verdade, achei que poderia ser um obstáculo. E quero garantir que não seja”, disse o presidente. Musk assegurou posteriormente que não estava familiarizado com o conteúdo do documento.

A minuta da ordem, segundo o Washington Post, previa a criação de um sistema voluntário no qual os desenvolvedores de IA forneceriam ao governo acesso aos seus modelos 90 dias antes de seu lançamento público. Isso daria às agências governamentais a oportunidade de analisá-los em busca de características perigosas, identificar vulnerabilidades e desenvolver medidas de proteção antes que hackers ou adversários estrangeiros pudessem explorá-los. “Nada nesta seção deve ser interpretado como autorização para a criação de requisitos obrigatórios de licenciamento, pré-autorização ou aprovação governamental para o desenvolvimento, publicação, lançamento ou distribuição de novos modelos, incluindo os avançados”, diz a parte relevante do documento.

Especialistas em tecnologiaRepresentantes da indústria alertaram Trump de que, embora voluntário em teoria, o arcabouço poderia ter se tornado um regime obrigatório de fato, exigindo que as empresas buscassem aprovação governamental para lançar seus sistemas. A questão persistiu até a noite de quarta-feira, 20 de maio, com alguns funcionários do governo argumentando que a versão atual do documento daria à China a capacidade de manipular novos modelos e lançar ataques contra os Estados Unidos. Isso teria desacelerado a inovação e levado os Estados Unidos a perder a corrida para a China. Poderia até mesmo levar as empresas a adiarem atualizações, mesmo que pequenas, de seus modelos, e o sucessor de Trump teria o poder de abusar das rígidas regulamentações de IA que existiam durante a presidência de Joe Biden. O documento provavelmente será devolvido para revisão, afirmou a Casa Branca.

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