IgralinaPC

O primeiro semestre do ano foi marcado por diversos projetos indie excelentes de desenvolvedores renomados. Edmund McMillen nos presenteou com o magnífico Mewgenics, a Mega Crit lançou o viciante Slay the Spire 2 em Acesso Antecipado, e a Yacht Club Games, a equipe por trás do clássico cult Shovel Knight, lançou Mina the Hollower. Trata-se de uma aventura old-school (muito old-school mesmo) no espírito dos jogos clássicos de Zelda. O jogo conquista os jogadores com seu estilo retrô, trilha sonora chiptune maravilhosa e jogabilidade hardcore envolvente, evocando fortes ondas de nostalgia pelos tempos áureos do Dandy e da TV de tubo. Além da forte pegada retrô, Mina the Hollower também oferece uma série de soluções modernas de design de jogos. E, por vezes, pelo contrário, deixa de lado certas opções geralmente aceitas voltadas para a conveniência do jogador, o que pode ser um pouco decepcionante. Mas vamos por partes.

#Shrew in the Flow

Mina, nossa heroína, recebe uma carta perturbadora da Ilha Bleak, onde dez anos atrás ela criou geradores de faísca — dispositivos que trouxeram prosperidade e bem-estar para a ilha e para a capital, Ossex. Até então, tudo funcionava perfeitamente, mas agora algo sinistro está acontecendo na ilha, causando o desligamento dos geradores. Somente sua criadora pode resolver o problema e reiniciar as máquinas, e assim nossa musaranha parte em uma aventura.

Como esperado, tudo dá errado desde o início: o navio é afundado por um monstro marinho, e os problemas em terra não são menores. A capital está sitiada, conspiradores semeiam o caos e a terra está infestada de monstros e outras criaturas malignas que se interpõem entre Mina e os geradores. Felizmente, a musaranha não é…Não apenas uma inventora excepcional, mas também uma aventureira experiente que sabe se defender em batalha e galopar por plataformas sobre abismos.

A principal técnica de Mina para resolver quebra-cabeças, se movimentar e combater é cavar no chão rapidamente. Isso facilita a superação de obstáculos perigosos e evita danos.

O ciclo de jogo de Mina the Hollower é baseado em uma fórmula clássica: partes iguais de exploração do ambiente, resolução de pequenos quebra-cabeças, demonstração de destreza em seções de plataforma e, claro, combate. O jogo alterna habilmente elementos e situações, fazendo tudo o que é possível para garantir uma sensação de fluidez que te prende e não te solta até o final da sessão ou mesmo da partida inteira. O que é particularmente interessante é que essa variedade é alcançada em grande parte pela adição de novas ferramentas e habilidades (as principais habilidades de Mina estão disponíveis desde o início), principalmente pelo design de níveis — os locais mudam regularmente as regras do jogo e te forçam a se adaptar a desafios sempre novos.

A variedade de situações oferecidas é incrível. Só o jogo já apresenta dezenas de desafios e complicações de plataforma: espinhos, paredes móveis, paredes de fogo móveis, lava jorrando, instalações de laser, labirintos complexos — e tudo isso é frequentemente complicado por uma infinidade de inimigos diferentes. Às vezes, há desafios adicionais, como, por exemplo, em determinado momento, ter que arrastar cabeças de estátuas por seções de plataforma, desviando não apenas de inimigos agressivos, mas também de um espírito vingativo, cuja cabeça devemos levar ao seu devido lugar. E o mais interessante é que, apesar da natureza notoriamente desafiadora do jogo, nenhum segmento é prolongado ou excessivamente complexo a ponto de se tornar irritante. —Yacht Club GamesPossui um ótimo senso de proporção.

Um segmento aparentemente simples, mas a impressão é enganosa…

O jogo está repleto de eventos variados. Você é atacado pelo grande inimigo de Mina, que também se revela um chefe surpresa; em outro momento, eles tentarão roubá-lo, e se você não for rápido, eles realmente conseguirão (cuidado com os NPCs “pacíficos” que se aproximam rapidamente). E uma dúzia de outros encontros aleatórios com os habitantes da ilha prometem, se não uma extravagância emocional, pelo menos alguns diálogos doces e engraçados, cujo formato e apresentação remetem ao ótimo Undertale. E, claro, os eventos principais são os segmentos de reparo do gerador, apresentados como uma pista de obstáculos vertical única que completa perfeitamente os episódios do jogo.

⇡#Uma Nova Abordagem para um Clássico

Vale mencionar também o sistema de combate — os desenvolvedores não reinventaram a roda (embora ele esteja presente no jogo como uma arma secundária), mas combinaram com segurança o combate clássico de Zelda com elementos de Souls. Por exemplo, se você morrer uma segunda vez, perderá seus dados — o equivalente às almas, seu recurso para aprimorar seus ataques, defesa e armas secundárias. No entanto, há uma reviravolta interessante: após a primeira morte, você não perde a moeda em si; em vez disso, um Contêiner de Faíscas é obtido na Mina, e você precisa devolvê-lo para não ter que se preocupar com seu dinheiro. Mas se você morrer sem o contêiner no bolso, diga adeus aos seus dados.

Ao subir de nível, você pode optar por acumular seus ossos — isso protegerá suas economias caso não queira investir em uma habilidade específica.

A mecânica de cura parece familiar, mas não totalmente. Em combate, Mina pode restaurar sua saúde usando um frasco de Estus, mas para que essa cura seja minimamente eficaz, ela precisa acertar os inimigos. A cada golpe, sua saúde aumenta, mas mesmo um único golpe a zera. Esse detalhe aparentemente insignificante torna as seções de combate verdadeiramente intensas, exigindo estratégias, cautela e ferocidade.

Um arsenal decente e um vasto bestiário com todos os tipos de inimigos completam as descobertas interessantes. Você encontrará inimigos fortes, rápidos, fortes e rápidos, ataques em área, inimigos se movendo em trajetórias incomuns (que, aliás, devido à perspectiva visual do jogo, muitas vezes resultam em dano desnecessário) e muitos outros. Uma arma primária e uma secundária ajudarão você a lidar com tudo. A arma secundária consome um recurso especial (joules) ao ser usada e nem sempre é uma arma no sentido clássico. Esta categoria inclui tanto armas de arremesso padrão, como adagas, machados e pedras, quanto armas exóticas, como uma furadeira. Além disso, a já mencionada bicicleta — que, além de ser útil em combate, permite que você se desloque rapidamente pelos cenários e salte facilmente sobre abismos perigosos e aparentemente intransponíveis; um guarda-chuva, que permite bloquear ataques; ou, por exemplo, uma lata de fumaça, que não causa dano, mas permite atravessar inimigos e, assim, recuperar um pouco de vida.saúde.

Na loja, você pode usar ossos para comprar diversos itens úteis, como aumento de saúde ou até mesmo um recipiente extra de faíscas.

Armas secundárias também são usadas para resolver vários quebra-cabeças — resolvê-los pode render recursos valiosos, melhorias para armas, aumento de saúde e lembrancinhas que oferecem diversos bônus passivos. E como é emocionante explorar os locais em busca de vários esconderijos secretos! Muitas vezes acontece de você avistar uma área inacessível de relance, e então uma nova missão começa — resolver esse enigma e (literalmente) cavar até a cobiçada recompensa. No entanto, também acontece de, no turbilhão de eventos, você esquecer de alguma sala, e quando se lembrar dela meia hora depois, bem… espero que você tenha uma boa memória topográfica. Afinal, Mina the Hollower não tem um minimapa clássico como tal — tem um mapa global, além de uma versão aprimorada que permite rastrear todos os segredos que você descobriu (o que não é muito útil para encontrar locais e salas específicos). Mas, para conseguir isso, você terá que completar uma série de missões. Como resultado, em certo ponto, desisti e não descobri todos os segredos em todos os níveis, embora eu realmente quisesse, e isso prejudicou um pouco a impressão de um jogo que, de resto, é excelente.

***

Além do problema de navegação mencionado anteriormente, é difícil encontrar outras desvantagens objetivas em Mina the Hollower. Mesmo a natureza um tanto hardcore do jogo, que pode afastar alguns jogadores, não é um problema — existem modificadores de dificuldade para adaptar a experiência a qualquer necessidade. Resumindo, se você gosta de aventuras emocionantes e intensas com muitos quebra-cabeças no espírito dos clássicos, você vai adorar.Se você é fã de Zelda, precisa conferir este jogo maravilhoso imediatamente.

Prós:

Contras:

Gráficos

O estilo retrô de 8 bits evoca perfeitamente a nostalgia das aventuras clássicas, e a estética minimalista é mais do que compensada pela atenção aos detalhes e pelo cuidado em cada aspecto visual.

Som

O design de som é absolutamente fiel à estética escolhida — o jogo inteiro soa como se você estivesse jogando em um console antigo, e isso é um grande elogio.

E eu gostaria de mencionar especialmente as maravilhosas melodias em chiptune, que são realmente emocionantes e tocantes.

Um jogador

Uma aventura cativante, doce e bastante desafiadora que vai agradar a todos os amantes de jogos retrô e não só.

Tempo estimado de conclusão

Cerca de vinte horas para completar a história principal. E se você quiser explorar cada canto e descobrir todos os segredos do jogo, adicione mais dez horas.

Multijogador

Não disponível.

Impressão geral

Uma aventura retrô maravilhosa com uma história incrível, personagens cativantes e jogabilidade extremamente envolvente.

Nota: 9,0/10

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