Há alguns anos, as autoridades americanas começaram a excluir equipamentos das empresas chinesas Huawei e ZTE das redes nacionais de comunicação. Elas apelaram aos países aliados para que demonstrassem solidariedade nessa área. No entanto, na Europa, esse processo foi voluntário e, portanto, não levou a uma rejeição unânime dos equipamentos chineses. Agora, os requisitos correspondentes podem ser consagrados em lei.

Fonte da imagem: Huawei Technologies
Segundo o Financial Times, os legisladores europeus começarão amanhã a analisar um projeto de lei sobre cibersegurança, que exigirá que os países da UE excluam equipamentos fabricados na China de suas infraestruturas críticas. Isso inclui não apenas equipamentos de telecomunicações da Huawei e da ZTE, mas também painéis solares e sistemas especializados de cibersegurança. Considerando que mais de 90% dos painéis solares vendidos no mercado europeu são provenientes da China, encontrar alternativas poderá representar um grande desafio.
Principalmente porque as ações hostis dos EUA contra a Groenlândia estão incentivando os políticos europeus a evitar a cooperação com empresas americanas. No setor de telecomunicações, porém, a situação na Europa é mais favorável, visto que a sueca Ericsson e a finlandesa Nokia continuam a operar nesse segmento de mercado. De qualquer forma, vários países da UE ainda cooperam ativamente com a Huawei por razões econômicas. Na Espanha, por exemplo, foi assinado um contrato no ano passado com essa fornecedora chinesa para o fornecimento de infraestrutura local com equipamentos para gravação e armazenamento de conversas telefônicas, que podem ser necessários para agências de inteligência e autoridades judiciais.
Nesse sentido, o mercado europeu tem se mostrado fragmentado e desigual até o momento e, sem uma unificação significativa, alcançar um resultado controlado na área de segurança da informação é impossível, segundo os autores do projeto de lei. A Comissão Europeia também está conduzindo investigações sobre o assunto.No que diz respeito aos fabricantes de locomotivas ferroviárias e turbinas eólicas, existe uma dependência excessiva de fornecedores chineses. O momento da eliminação gradual dos equipamentos chineses das infraestruturas críticas da UE será determinado com base em fatores económicos, mas quaisquer medidas nesse sentido, se implementadas, levarão inevitavelmente a custos mais elevados para os consumidores europeus.