As autoridades chinesas proibiram maçanetas ocultas em veículos elétricos. Este é o primeiro país do mundo a proibir o design popularizado pela Tesla, de Elon Musk. Essa solução tecnológica está sendo reavaliada em diversos países devido a uma série de acidentes fatais.

Fonte da imagem: tesla.com

A partir de 1º de janeiro de 2027, os carros vendidos na China deverão ter dispositivos mecânicos de abertura de portas tanto pelo lado de fora quanto pelo lado de dentro, de acordo com um decreto do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação. Os modelos já aprovados pelo órgão regulador e em fase final de lançamento na China deverão receber o design atualizado até janeiro de 2029.

A medida rigorosa surge após diversos incidentes de grande repercussão, incluindo dois acidentes envolvendo veículos elétricos da Xiaomi na China, nos quais uma queda de energia teria impedido a abertura das portas, resultando em mortes e na impossibilidade de fuga ou resgate. A nova regulamentação se aplica apenas a veículos elétricos vendidos na China, mas, dada a influência do país na indústria automobilística global, o impacto poderá ser sentido também em outros países. As portas da Tesla já geraram críticas nos EUA, e a Europa está considerando a implementação de suas próprias regulamentações.

O impacto das mudanças poderá ser desigual, e não está claro qual será o seu custo. Segundo um especialista da Bloomberg, isso poderia custar mais de 100 milhões de yuans (US$ 14,4 milhões) por modelo. Cerca de 60 dos 100 veículos de nova energia mais vendidos na China em abril tinham maçanetas embutidas. A reformulação se concentrará principalmente nos modelos premium mais lucrativos — que normalmente apresentam designs elegantes e futuristas, os quais serão abandonados pela inovação.

Entre os carros ocidentais, essas maçanetas são encontradas no Tesla Model Y, Model 3 e BMW iX3; entre os carros nacionais, no Nio ES8, Li Auto i8, Xpeng P7 e no crossover Xiaomi YU7. Em março e outubro do ano passado, sedãs elétricos Xiaomi SU7 se envolveram em acidentes, chamando a atenção do público para a questão das maçanetas. As autoridades chinesas levantaram essa questão já em julho de 2024, após pelo menos dois acidentes deixarem pessoas presas em carros devido à dificuldade para abrir as portas.

As novas regulamentações estipulam que a parte externa da porta deve ter um recesso de pelo menos 6 cm de largura e 2 cm de profundidade para permitir o alcance da maçaneta. Placas medindo pelo menos 1 x 0,7 cm com instruções sobre como abrir a porta devem estar localizadas na parte interna. As regulamentações também especificam a localização das maçanetas e das placas. As montadoras atualmente incorporam recursos de segurança, incluindo cabos de liberação mecânica e baterias de reserva para as portas, mesmo em caso de perda de energia principal. Esses sistemas agora se tornarão redundantes. Existe também um design que combina sistemas elétricos e manuais em uma única maçaneta — esse tipo de porta pode ser aberto com um puxão firme, tornando-se uma solução intuitiva nessa situação.

Fabricantes chineses já começaram a retornar a soluções tradicionais — maçanetas abertas já apareceram no Geely Galaxy M9 e no BYD Seal 06. Montadoras estrangeiras ainda não divulgaram detalhes. A Tesla, no entanto, prometeu fazer as mudanças necessárias para a China e tornar o mecanismo de abertura da porta mais intuitivo. A nova regulamentação representa uma mudança histórica, um passo em direção a uma era de regulamentações de segurança global dominadas pela China, em vez dos EUA e da Europa. Olhando para o futuro…O Ministério da Segurança Pública planeja limitar a velocidade com que os carros podem acelerar a partir da imobilidade; as autoridades também querem reforçar a fiscalização dos sistemas avançados de assistência ao condutor.

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