A soberania tecnológica da UE terá um custo elevado para os consumidores, alertaram os fabricantes de automóveis europeus.

No mês passado, as autoridades europeias apresentaram um pacote de projetos de lei com o objetivo de fortalecer a soberania tecnológica da região, inclusive separando-a dos Estados Unidos. As montadoras europeias consideraram necessário declarar que tal movimento em direção a uma “economia de subsistência” não teria um final favorável para os consumidores europeus.

Fonte da imagem: Volvo Cars

O CEO da Volvo Cars, Håkan Samuelsson, admitiu que os consumidores europeus só teriam a perder com a proibição da tecnologia americana. O CTO da Stellantis, Ned Curic, afirmou que tais medidas apenas levariam a custos mais altos para a indústria automobilística europeia. Embora a iniciativa do governo europeu para desenvolver a soberania tecnológica regional ainda não tenha se concretizado, representantes empresariais já expressam preocupação com as consequências negativas de sua implementação prática.

O chefe da Volvo Cars declarou que sua empresa acolheria a existência de alternativas europeias às tecnologias americanas, mas que o surgimento das primeiras deve ser determinado dentro de um ambiente de livre mercado e competitivo. Segundo os idealizadores da iniciativa, a busca pela soberania tecnológica levará ao aumento da inovação, do investimento e da expansão dos negócios. As autoridades europeias querem aumentar a independência da economia da região, mantendo a abertura a parceiros confiáveis ​​além de suas fronteiras.

As montadoras europeias são altamente dependentes de componentes semicondutores, sistemas de inteligência artificial e computação em nuvem americanos. Com o rápido desenvolvimento da tecnologia de direção autônoma, a cooperação intercontinental torna-se ainda mais crucial. Segundo um representante da Stellantis, as tentativas da indústria automobilística europeia de reduzir sua dependência da tecnologia americana só levarão a custos mais altos, o que, dada a concorrência de preços com as montadoras chinesas, não é um bom presságio. Além disso, seria inconveniente para uma montadora transcontinental como a Stellantis terInfraestrutura separada em cada região. Em última análise, como explica Čurić, isso levará a uma contração dos mercados de vendas. O CEO da Volvo também está comprometido com a cooperação com os EUA em meio ao impasse tecnológico com a China. Isso é especialmente verdadeiro, visto que essa empresa nominalmente sueca, pertencente à chinesa Geely, depende de tecnologia de empresas americanas como Google e Nvidia.

O CEO da Volkswagen, Oliver Blume, enfatizou recentemente que a soberania no processamento e proteção de dados é importante, mas, em termos de desenvolvimento tecnológico, os participantes do mercado devem ter liberdade de escolha. Alguns especialistas concordam que fazer negócios sem tecnologia americana é simplesmente impossível.

admin

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