Segundo analistas da TrendForce, 284 milhões de smartphones foram produzidos mundialmente no primeiro trimestre, representando uma queda de 1,7% em relação ao ano anterior. Os preços dos chips de memória começaram a subir acentuadamente no segundo semestre de 2025, mas isso teve um impacto mínimo na produção de smartphones, já que os fabricantes ainda possuíam estoques. A demanda também permaneceu bastante alta, levando os consumidores a temerem um aumento de preços em breve.
Agora, os estoques de chips de memória, adquiridos a preços baixos, estão se esgotando e os preços continuam subindo, o que reduz os lucros dos fabricantes. Eles já começaram a ajustar a produção no segundo trimestre. Até o final de 2026, 1,051 bilhão de smartphones serão produzidos mundialmente, representando uma queda de 16,2%, de acordo com a previsão otimista dos analistas. Se os preços da memória continuarem a subir rapidamente, a produção poderá cair ainda mais, forçando os fabricantes a aumentarem repetidamente os preços de varejo.
Para superar esses desafios, os fabricantes estão empregando diversas estratégias. Marcas com presença significativa no segmento premium e maiores recursos financeiros têm maior probabilidade de manter ou expandir sua participação de mercado. As marcas chinesas que visam os segmentos de entrada e intermediário são forçadas a adotar planos de produção conservadores, devido ao aumento dos custos e à crescente concorrência da Huawei.
A Samsung manteve-se como a maior fabricante de smartphones no primeiro trimestre de 2026, produzindo 62,6 milhões de unidades. Graças ao aumento dos estoques para os novos modelos da linha Galaxy S, a empresa elevou sua produção em 7,6% em relação ao trimestre anterior e em 2,3% em relação ao mesmo período do ano passado.A gigante coreana de eletrônicos estava relativamente bem preparada para a crise, graças ao forte apoio financeiro de seu grupo de empresas e a uma ampla gama de produtos. No entanto, sua forte dependência de modelos de baixo custo continua sendo motivo de preocupação, especialmente considerando a fragilidade da confiança do consumidor.

Fonte da imagem: trendforce.com
A Apple ficou em segundo lugar com um volume de produção de aproximadamente 60,2 milhões de unidades no trimestre. A empresa aumentou a produção tanto da sua linha principal de iPhones quanto do iPhone 17e, o modelo mais acessível, alcançando um crescimento anual de 19,7%. Os concorrentes já começaram a tomar medidas para proteger suas margens de lucro, mas a Apple está em melhor posição para absorver o aumento dos custos de memória e, em um mercado em declínio, provavelmente priorizará o aumento de sua participação de mercado.
Xiaomi, Oppo e Vivo estão lutando para manter um modelo de negócios lucrativo. Todas as três marcas apresentaram uma queda sazonal na produção no primeiro trimestre: Oppo para 29,5 milhões de unidades (terceiro lugar), Xiaomi para 26 milhões de unidades (quarto lugar) e Vivo para 22 milhões de unidades (quinto lugar). Em anos anteriores, elas conseguiram aumentar significativamente sua participação no mercado global, mas agora, com o aumento dos custos de memória, estão encontrando cada vez mais dificuldades para manter a lucratividade. Há incertezas em relação aos planos de produção para 2026, e as metas de produção podem ser revisadas para baixo.
A Transsion produziu 19,8 milhões de smartphones no primeiro trimestre, número praticamente em linha com o do ano passado, ocupando a sexta posição global. No entanto, em meio à rápida alta dos preços da memória, a empresa se mostrou particularmente vulnerável, já que sua linha de produtos é voltada principalmente para modelos de entrada e de baixo custo, onde as margens de lucro já são baixas. O acesso limitado a componentes a preços acessíveis agravou ainda mais essa situação. Contudo, a demanda dos mercados emergentes continua sendo uma importante fonte de sustentação para a indústria global de smartphones, com marcas como a Xiaomi reduzindo a produção nos próximos meses.Neste segmento, e para a Transsion esta é uma oportunidade de melhorar sua posição.