O presidente dos EUA, Donald Trump, disse ter discutido esforços conjuntos para limitar o uso da inteligência artificial e a possibilidade de fornecimento de chips Nvidia H200 com o presidente chinês, Xi Jinping. Trump afirmou que a China não aprovou a compra dos chips H200 “porque eles decidiram não fazê-lo; eles querem desenvolver os seus próprios”.

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Poucos dias antes da visita de Trump à China, autoridades americanas anunciaram que os Estados Unidos expressariam suas preocupações sobre inteligência artificial, embora não tenham especificado quais questões seriam levantadas com seus homólogos chineses. Após o anúncio da Anthropic sobre o potencial risco cibernético global representado por seu modelo Mythos, as autoridades reconheceram a necessidade de abrir um novo canal de comunicação para discussões regulares sobre questões de IA. Segundo Trump, os dois líderes discutiram um possível trabalho conjunto sobre restrições à IA. Quando questionado sobre quais restrições específicas poderiam ser introduzidas, ele respondeu: “As restrições padrão sobre as quais falamos o tempo todo”.
O governo Trump está cada vez mais preocupado com o uso indevido, por desenvolvedores chineses, dos resultados de modelos avançados de IA dos EUA para treinar seus próprios sistemas de IA. OpenAI, Anthropic e Google acusam seus concorrentes chineses, como DeepSeek, Moonshot e MiniMax, de usar avanços americanos para desenvolver produtos baratos e inseguros. No mês passado, a Casa Branca anunciou medidas destinadas a impedir essa extração de resultados de sistemas desenvolvidos por empresas americanas líderes — uma prática conhecida como “antidesign”.
As restrições impostas pelos EUA à venda de tecnologias americanas sensíveis para a China têm sido, há muito tempo, um ponto de atrito entre as duas maiores economias do mundo. Em dezembro de 2025, Trump autorizou a Nvidia a fornecer seus chips H200 a clientes chineses, uma flexibilização significativa dessas restrições.Com o objetivo de frear o crescimento da China em IA, a medida até agora não trouxe novos negócios para a empresa ou para outros fabricantes de chips americanos.

O secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, informou que, embora alguns chips H200 tivessem licença para venda à China, nenhum foi exportado porque o governo chinês não havia autorizado a compra. Para resolver essa questão, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, foi adicionado à delegação de Trump de última hora. No entanto, o representante comercial dos EUA declarou hoje que a decisão de aprovar a compra dos chips H200 da Nvidia caberá à China. “Mas a questão foi levantada e acho que algo mais pode acontecer”, afirmou Trump.
Outra possível área de conflito pode ser a recente proibição do governo chinês à aquisição da Manus, uma startup americana de IA, pela Meta✴ por US$ 2 bilhões. Essa medida privou os EUA das conquistas da startup no pioneirismo em IA baseada em agentes. A decisão, anunciada poucas semanas antes da cúpula Trump-Xi Jinping, ressaltou as ambições de Pequim de desenvolver sua própria IA.