Na MWC 2026, a SpaceX anunciou seu sistema de comunicação móvel “épico”, o Starlink Mobile, que começará a operar em meados de 2027. O serviço não competirá com os serviços das operadoras de telefonia móvel terrestre, mas sim os complementará.

Fonte da imagem: starlink.com
A SpaceX estabeleceu a meta de fornecer acesso à sua rede celular Starlink para centenas de milhões de dispositivos, que atualmente atende 16 milhões de assinantes. A empresa citou esses números ao renomear seu serviço Direct to Cell para Starlink Mobile, uma marca registrada no ano passado. O sistema de primeira geração é suportado por 650 satélites, conectando atualmente “mais de 16 milhões de usuários únicos” e atendendo 10 milhões de assinantes mensais de operadoras móveis terrestres parceiras, incluindo a T-Mobile, dos EUA, a Rogers, do Canadá, e a KDDI, do Japão. Até o final de 2026, a SpaceX espera aumentar o número de assinantes para 25 milhões. Utilizando satélites em órbita baixa em vez de estações base terrestres, o Starlink Mobile oferece “a maior cobertura 4G geograficamente do mundo”.

Ao implantar uma rede de satélites de segunda geração, a operadora poderá atender “centenas de milhões de dispositivos, e potencialmente mais”. O primeiro lote desses satélites será lançado em órbita em meados do próximo ano a bordo da espaçonave Starship. “Com cada lançamento [da Starship], poderemos lançar mais de 50 satélites, a partir de meados de 2027. Com a Starship, poderemos implantar a constelação muito rapidamente. Nosso objetivo é implantar uma constelação capaz de fornecer cobertura contínua em todo o mundo em seis meses. Isso representa aproximadamente 1.200 satélites”, explicou a empresa. Com o tempo, a SpaceX espera expandir esse número para 15.000 satélites, de acordo com o registro regulatório.
O CEO da empresa, Elon Musk, chegou a considerar competir com as operadoras de telefonia móvel terrestre, mas a Starlink Mobile agora se posiciona como um complemento ao que suas parceiras terrestres oferecem. “O Starlink Mobile é um componente essencial de uma rede híbrida que inclui infraestrutura terrestre e via satélite. As comunicações via satélite complementam as redes terrestres; elas não conseguem fornecer a mesma densidade de dados. No entanto, podem expandir as capacidades das redes terrestres em áreas onde estas não têm alcance, ou quando as redes terrestres necessitam de largura de banda adicional”, explicou a SpaceX.

Ao renomear seu serviço Direct to Cell para Starlink Mobile, a SpaceX não conseguiu evitar a confusão, já que cada operadora parceira promove sua própria marca de serviço de comunicação via satélite: a americana T-Mobile o chama de T-Satellite, enquanto a canadense Rogers simplesmente o chama de Rogers Satellite. A Starlink Mobile espera aumentar as velocidades máximas de conexão para 150 Mbps. Em seus satélites de próxima geração, a operadora quintuplicará o tamanho da antena e quadruplicará a largura de banda por feixe. Atualmente, a operadora pode fornecer videochamadas, mensagens de texto e alguns aplicativos sem cobertura terrestre — a velocidade estimada é de 4 Mbps.
No ano passado, a SpaceX adquiriu espectro adicional da EchoStar, após o que Musk prometeu que os chips de smartphones seriam compatíveis com ele em até dois anos. O acordo de espectro deve ser oficialmente concluído até o final de 2027. “Isso significa que, quando lançarmos o serviço, o que está previsto para meados de 2027, seremos compatíveis com a maioria dos dispositivos nos EUA”, concluiu a SpaceX.