As primeiras amostras de solo do lado oculto da Lua trazidas à Terra revelaram outra surpresa: cientistas chineses descobriram um material nunca antes visto na natureza. Tratava-se de nanotubos de carbono de parede única — um material do futuro com condutividade térmica e elétrica excepcionais, além de super-resistência. Até então, os nanotubos de carbono de parede única eram sintetizados exclusivamente em laboratórios. Ninguém esperava encontrá-los na natureza.

Fonte da imagem: SCMP
A sonda Chang’e-6 trouxe amostras de volta à Terra em junho de 2024. Após a triagem das amostras, realizada há aproximadamente um ano, elas ficaram disponíveis para estudo por equipes científicas na China. Nenhum país no mundo havia alcançado tal feito científico anteriormente. Isso representou um avanço, permitindo um estudo abrangente da geologia lunar, algo antes possível apenas no lado visível da Lua.
De acordo com o novo estudo, tubos de carbono extremamente finos, com paredes de apenas um átomo de espessura, foram descobertos em amostras do lado oculto da Lua. Suas propriedades correspondem a nanotubos de carbono monomoleculares — um material que antes só havia sido produzido artificialmente, sob condições laboratoriais rigorosamente controladas. Anteriormente, apenas análogos multicamadas dessas estruturas haviam sido encontrados na natureza — em depósitos de carvão, núcleos de gelo e áreas afetadas por incêndios florestais — portanto, a nova descoberta representa um sério desafio aos conceitos estabelecidos na ciência dos materiais e na física do estado sólido.
Os cientistas levantam a hipótese de que a formação dessas nanoestruturas na Lua pode ter ocorrido sob a influência de fatores extremos. Esses fatores incluem impactos de micrometeoritos, exposição prolongada ao vento solar e antiga atividade vulcânica. O carbono depositado na superfície lunar evaporou sob o calor de eventos extremos e interagiu com o ferro no solo lunar, rearranjando sua estrutura molecular até se transformar em nanotubos de carbono de parede única.
O grafeno, aliás, já havia sido detectado no lado visível da Lua, mas esta é a primeira vez que tal descoberta ocorre com nanotubos.Ao contrário da Terra, a Lua não possui atmosfera nem processos geológicos ativos, o que permite que essas estruturas permaneçam praticamente inalteradas por bilhões de anos.
A importância dessa descoberta vai além da geologia lunar. Ela demonstra que estruturas complexas de carbono podem surgir naturalmente no ambiente cósmico sem a necessidade de alta tecnologia. Isso amplia nossa compreensão dos processos de formação da matéria no Universo e pode ter implicações práticas para futuras pesquisas sobre novos materiais, bem como para o planejamento de futuras missões espaciais e a exploração de outros corpos celestes.